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Naming: nomes que marcam

Publicado por Bruno Gonçalves em 21 de maio de 2011 @ 10:37
Tema(s): Livros, Marketing


Com mer­ca­dos cada vez mais com­pe­ti­ti­vos e seg­men­ta­dos, o su­cesso – ou fra­casso – de uma em­presa pode ser de­cre­tado por sua es­tra­té­gia de di­fe­ren­ci­a­ção atra­vés da marca. Preço e qua­li­dade, in­dis­cu­ti­vel­mente, tam­bém são fa­to­res cru­ci­ais na com­pe­ti­ção. Po­rém, é ne­ces­sá­rio res­sal­tar que, an­tes do con­su­mi­dor re­a­li­zar a com­pra de um pro­duto ou a con­tra­ta­ção de um ser­viço, ele pre­cisa se lem­brar das mar­cas que con­si­dera como pro­vá­veis op­ções. Neste con­texto, de­fi­nir o nome para a marca é o pri­meiro passo – e de fun­da­men­tal im­por­tân­cia – para bus­car re­sul­ta­dos positivos.

Mas como criar o nome para uma marca?

Res­posta: naming

A pa­la­vra na­ming, que em in­glês sig­ni­fica no­me­a­ção, é a área do bran­ding (ges­tão de mar­cas) res­pon­sá­vel por uma das ta­re­fas mais im­por­tan­tes do mar­ke­ting: o de­sen­vol­vimnto de no­mes para mar­cas, pro­du­tos e serviços.

A de­fi­ni­ção de um nome exige co­nhe­ci­men­tos e es­tu­dos em di­ver­sas áreas, como lin­guís­tica, se­mi­o­lo­gia, an­tro­po­lo­gia, de­sign, mar­ke­ting e le­gis­la­ção de marca. Além disso, é im­pres­cin­dí­vel não li­mi­tar a es­co­lha do nome so­mente à per­cep­ção es­té­tica da pa­la­vra e a har­mo­nia de sua pro­nun­ci­a­ção. En­tre ou­tras coi­sas, é muito im­por­tante que o nome bus­que tra­du­zir a es­sên­cia da marca, seus prin­cí­pios, va­lo­res e posicionamento.

Para ler

Uma dica é o li­vro “Na­ming: O nome da marca”, de De­lano Ro­dri­gues, pu­bli­cado re­cen­te­mente pela edi­tora 2AB. O au­tor é de­sig­ner, pro­fes­sor e con­sul­tor de iden­ti­dade de marca. Foi di­re­tor na­ci­o­nal da ADG (As­so­ci­a­ção de De­sig­ners Grá­fi­cos do Bra­sil) en­tre 2007 e 2009, é Mes­tre em De­sign pela PUC-​​Rio e MBA em Mar­ke­ting. No li­vro, o au­tor trata dos per­cur­sos, con­cei­tos e apli­ca­ções de marca e iden­ti­dade, aborda os mo­de­los de clas­si­fi­ca­ção para nomeá-​​las e ex­plora as eta­pas do pro­cesso de um pro­jeto de naming.

Sig­ni­fi­ca­dos

Nós guar­da­mos na me­mó­ria uma grande quan­ti­dade de mar­cas mas, ra­ra­mente, bus­ca­mos co­nhe­cer as suas ori­gens e os sig­ni­fi­ca­dos de seus no­mes. Abaixo, con­fira um breve his­tó­rico de al­gu­mas mar­cas famosas.

Ap­ple
Na in­ter­net, há vá­rias his­tó­rias para des­cre­ver a es­co­lha do nome da Ap­ple. En­con­tra­mos a in­for­ma­ção de que a maçã é a fruta fa­vo­rita de Steve Jobs (co-​​fundador) e que ele tam­bém já tra­ba­lhou em um po­mar de ma­çãs. Um dos cri­té­rios para a es­co­lha te­ria sido a in­ten­ção de evi­tar no­mes que pu­des­sem re­fle­tir algo frio e ina­ces­sí­vel. Ou­tras fon­tes di­zem que o nome e o sím­bolo da maçã fo­ram con­ce­bi­dos por fa­zer re­fe­rên­cia à his­tó­ria de Adão e Eva, na qual a maçã mor­dida re­pre­senta o fruto da árvore do co­nhe­ci­mento. Tam­bém há su­po­si­ções de que a pa­la­vra Ap­ple foi es­co­lhida por co­me­çar com a le­tra “A”, o que faz com que fi­que na frente das mar­cas da mai­o­ria dos con­cor­ren­tes em uma lista em or­dem al­fa­bé­tica; de que fru­tas pas­sam uma ima­gem de saúde e vida sau­dá­vel e que a es­co­lha da maçã su­ge­ri­ria às pes­soas que a uti­li­za­ção de com­pu­ta­do­res é algo sau­dá­vel; e de que nin­guém ima­gi­na­ria que uma fruta pu­desse sim­bo­li­zar tec­no­lo­gia. As­sim, como o ser hu­mano tende a me­mo­ri­zar as­so­ci­a­ções inu­si­ta­das, a marca Ap­ple se­ria gra­vada mais fa­cil­mente na mente dos consumidores.

Mi­cro­soft
O nome da em­presa é uma jun­ção de par­tes de duas pa­la­vras: Mi­cro­com­pu­ter e Soft­ware. Com esta so­lu­ção, a marca tenta trans­mi­tir, com certa sim­pli­ci­dade, qual é o ramo de ati­vi­dade da em­presa. Cu­ri­o­si­dade: ori­gi­nal­mente, o nome era es­crito com hí­fen: Micro-​​Soft. Pos­te­ri­or­mente, o si­nal foi retirado.

Go­o­gle
A “lenda” é que a ori­gem do nome da gi­gante da in­ter­net de­riva da pa­la­vra go­o­gol. Larry e Ser­gey, fun­da­do­res da em­presa, te­riam se ba­se­ado neste termo ma­te­má­tico que ex­pressa o nú­mero 1 se­guido de 100 ze­ros, o que tra­duz, de certa forma, a sín­tese da em­presa. Cu­ri­o­si­dade: a pa­la­vra go­o­gol te­ria sur­gido quando o ma­te­má­tico Edward Kas­ner per­gun­tou a um so­bri­nho de 8 anos como ele des­cre­ve­ria um nú­mero ex­tre­ma­mente grande, o maior que pu­desse ima­gi­nar. A cri­ança emi­tiu um som de res­posta e Kas­ner tra­du­ziu como “googol”.

Yahoo!
É uma si­gla para “Yet Another Hi­e­rar­chi­cal Of­fi­ci­ous Ora­cle” (Um Ou­tro Orá­culo Ofi­ci­oso Hi­e­rár­quico). A pa­la­vra yahoo foi ori­gi­nal­mente usada no li­vro “Vi­a­gens de Gul­li­ver” e des­creve al­guém “re­pul­sivo na apa­rên­cia e ra­ra­mente hu­mano”. Os fun­da­do­res do Yahoo brin­cam que eles são Yahoos.

Twit­ter
A ori­gem do nome Twit­ter, que em in­glês sig­ni­fica piar de pás­saro, re­mete exa­ta­mente aos sons re­pe­ti­ti­vos das aves. A ideia tam­bém ins­pi­rou o sím­bolo da marca da rede so­cial. O con­ceito para a cri­a­ção do nome sur­giu a par­tir do en­ten­di­mento de que, ape­sar dos can­tos de vá­rios pás­sa­ros jun­tos soar como uma sé­rie de ruí­dos sem sen­tido, para os pás­sa­ros es­ses sons for­mam uma con­versa in­te­li­gí­vel e relevante.

Nin­tendo
É uma ex­pres­são de ori­gem ja­po­nesa cri­ada a par­tir de 3 di­fe­ren­tes ca­rac­te­res da lín­gua Kanji: Nin-​​ten-​​do. Há ci­ta­ções que di­zem que as pri­mei­ras duas sí­la­bas po­dem ser tra­du­zi­das como “pa­raíso aben­çoa tra­ba­lho di­fí­cil”. Ou­tras fon­tes di­zem que a pa­la­vra Nin­tendo pode ser tra­du­zida como “dei­xar a sorte nas mãos de Deus”.

Nike
“Niké” (pronuncia-​​se niqué) é a deusa grega da vi­tó­ria. A mi­to­lo­gia diz que ela ti­nha a ca­pa­ci­dade de voar e de cor­rer em gran­des ve­lo­ci­da­des, o que é bas­tante apro­pri­ado para re­pre­sen­tar a marca es­por­tiva que sur­giu em 1971. O nome foi su­ges­tão de Jeff John­son, ex-​​rival de Phil Knight – um dos pro­pri­e­tá­rios da Nike – nas pis­tas de atle­tismo. Cu­ri­o­si­dade: o sím­bolo da marca, co­nhe­cido como Swo­osh, foi cri­ado pela es­tu­dante de de­sign grá­fico, Ca­rolyn Da­vid­son, por ape­nas US$ 35.

Adi­das
O nome da marca cri­ada em 1920 é a união en­tre o ape­lido (Adi) e parte do so­bre­nome do fun­da­dor da em­presa, Adolf Das­s­ler. Cu­ri­o­si­dade: Ru­dolf Das­s­ler, ir­mão e só­cio de Adolf, após uma briga em 1948, se des­li­gou da Adi­das e criou a sua pró­pria em­presa, a Puma, uma das prin­ci­pais rivais.

Puma
Há quem diga que a marca, ini­ci­al­mente, foi cri­ada com o nome Ruda, re­fe­rên­cia ao nome do pro­pri­e­tá­rio, Ru­dolf Das­s­ler – ir­mão de Adolf Das­s­ler, fun­da­dor da Adi­das –, que te­ria uti­lizo a mesma téc­nica de mis­tura de sí­la­bas que foi em­pre­gada pelo ir­mão para criar a marca Adi­das. Po­rém, o que é fato é que a marca Puma, desde que sur­giu, veio com­pe­tir  – pri­mei­ra­mente, en­tre os ir­mãos Das­s­ler – e se des­ta­cou ra­pi­da­mente no mer­cado esportivo.

Re­e­bok
O nome da marca in­glesa é ins­pi­rada em uma es­pé­cie de ga­zela afri­cana bas­tante ve­loz cha­mada Rhe­bok. A em­presa sur­giu da ini­ci­a­tiva de Jo­seph Wil­liam Fos­ter, que bus­cou uma forma para al­can­çar me­lho­res re­sul­ta­dos nas pis­tas. A so­lu­ção ini­cial foi mar­te­lar um con­junto de pre­gos nas so­las de seus cal­ça­dos. A par­tir dessa ideia, em 1895, surge a J.W. Fos­ter and Sons, que con­fec­ci­o­nava cal­ça­dos para atle­tismo com tra­vas (spi­kes), fei­tos a mão, para os prin­ci­pais cor­re­do­res da In­gla­terra. Ape­nas em 1958, quando o co­mando da em­presa pas­sou para os fi­lhos Ja­mes e John, sur­giu a marca Re­e­bok. Cu­ri­o­si­dade: o mo­delo Fos­ter De­luxe Spike foi lí­der em sua ca­te­go­ria por 50 anos, cau­sando uma re­vo­lu­ção na tec­no­lo­gia usada na fa­bri­ca­ção de cal­ça­dos esportivos.

Asics
Em 1949, Kiha­chiro Onit­suka criou sua em­presa de cal­ça­dos es­por­ti­vos com o nome Onit­suka Co., pro­du­zindo, ini­ci­al­mente, tê­nis para bas­quete na sala de es­tar da sua casa em Kobe, no Ja­pão. Pos­te­ri­or­mente, fundiu-​​se com as em­pre­sas GTO e Je­lenk, mu­dando o nome para Asics. A si­gla sig­ni­fica “Anima Sana in Cor­pore Sano” (mente sã num corpo são).

BIC
Mar­cel Bich, ex-​​gerente de pro­du­ção em uma in­dús­tria de tin­tas, com­prou uma fá­brica pró­xima a Pa­ris e co­me­çou a pro­du­zir pe­ças para canetas-​​tinteiro e la­pi­sei­ras. O de­sen­vol­vi­mento de ca­ne­tas es­fe­ro­grá­fi­cas avan­çava na Eu­ropa e nos Es­ta­dos Uni­dos e Mar­cel viu um grande po­ten­cial desse novo ins­tru­mento de es­crita. De­pois de ob­ter os di­rei­tos das pa­ten­tes de uma es­fe­ro­grá­fica cri­ada em 1935 pelo in­ven­tor hún­garo La­dis­lao Biro, me­lho­rou seu pro­cesso de pro­du­ção e lan­çou, em de­zem­bro de 1950, suas ca­ne­tas con­fiá­veis e com preço bas­tante aces­sí­vel. A ori­gem do nome da marca Bic sur­giu quando Mar­cel ini­ciou a ex­por­ta­ção de seu pro­duto para os Es­ta­dos Uni­dos. Ele pra­ti­ca­mente se viu obri­gado a mudá-​​lo, já que a pro­nún­cia do seu so­bre­nome, Bich, po­de­ria ser con­fun­dida com “bitch”, um pa­la­vrão na lín­gua in­glesa. Sua op­ção foi re­ti­rar a le­tra “H” do nome da marca.

Avon
Ven­de­dor de li­vros, Da­vid H. Mc­Con­nell, fun­da­dor da Avon, co­me­çou a ofe­re­cer um pe­queno per­fume como brinde para seus cli­en­tes. Da­vid pre­sen­te­ava aque­les que ou­viam a sua apre­sen­ta­ção, pois, nor­mal­mente, não era bem re­ce­bido nas ca­sas. A venda dos li­vros era feita de porta em porta, na ci­dade de Nova York, mesmo sis­tema que foi ado­tado pos­te­ri­or­mente pela Avon. Mc­Con­nell aca­bou mu­dando de ramo, pois o su­cesso do brinde era maior do que dos seus li­vros. O nome Avon foi ado­tado em 1939, ins­pi­rado na ci­dade na­tal de Wil­liam Sha­kes­pe­are: Strat­ford on Avon. O nome foi uma ho­me­na­gem ao po­eta e dra­ma­turgo, já que Mc­Con­nell gos­tava de literatura.

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Comentário(s) para "Naming: nomes que marcam"

#1 - Comentário de Wil­son em 6 de junho de 2011 @ 9:08

Ap­ple, é por causa de Isaac New­ton, não? Alias, a pri­meira marca da em­presa mos­tra isso: [6]

#2 - Comentário de Bruno Gon­çal­ves em 6 de junho de 2011 @ 11:51

Olá Wil­son,

Re­al­mente, não fiz uma pes­quisa muito apro­fun­dada. Achei vá­rias in­for­ma­ções di­ver­gen­tes em si­tes pela in­ter­net. Até mesmo por isso in­for­mei essa ques­tão no texto do post. Não pes­qui­sei li­vros ou ava­lie as fon­tes para con­fir­mar qual era a in­for­ma­ção correta.

Agra­deço pela dica e, as­sim que ti­ver um tempo, vou fa­zer uma pes­quisa para des­co­brir qual é a ori­gem ver­da­deira da marca Ap­ple. Quando con­fir­mar a in­for­ma­ção, com­ple­men­ta­rei o texto.

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[1] Li­vros de De­sign: http://www.livrosdedesign.com.br

[2] Por­tal Ci­dade Mar­ke­ting: http://www.cidademarketing.com.br

[3] Go­o­gle Dis­co­very: http://googlediscovery.com

[4] Wi­ki­pe­dia: http://www.wikipedia.org

[5] We­bin­si­der: http://webinsider.uol.com.br

[6] : http://img.skitch.com/20070729-tft9epfmpue5fsbs5774616nrx.jpg

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