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Para o bem da natureza. Será?

Publicado por Bruno Gonçalves em 7 de dezembro de 2010 @ 15:14
Tema(s): Marketing, Propaganda


O apre­sen­ta­dor glo­bal Lu­ci­ano Huck é novo o ga­roto pro­pa­ganda da Honda. No co­mer­cial, a marca mos­tra o pi­o­nei­rismo no de­sen­vol­vi­mento de mo­to­ci­cle­tas com a tec­no­lo­gia de mo­to­res bi-​​combustível. O ro­teiro é sim­ples, mas conta com uma bela pro­du­ção de ima­gens – o mí­nimo que se po­de­ria es­pe­rar de um tra­ba­lho exe­cu­tado pela agên­cia DM9. A men­sa­gem do co­mer­cial de­mons­tra uma pre­o­cu­pa­ção da em­presa com a pre­ser­va­ção da natureza.

Até este ponto, não há nada que ul­tra­passe o tri­vial. No en­tanto, o que des­perta a aten­ção é jus­ta­mente a es­co­lha de Lu­ci­ano Huck para o pa­pel. Fa­moso, ca­ris­má­tico, edu­cado – se­ria o apre­sen­ta­dor a pes­soa ideal para re­pre­sen­tar a marca Honda nesta ação de ecomarketing?

Novo comercial da Honda apresenta tecnologia bi-combustível

Ima­gem

De­ve­mos con­si­de­rar que a ima­gem não está so­mente na fi­gura, ge­ral­mente per­so­ni­fi­cada, que a mí­dia apre­senta ao pú­blico. A ima­gem do per­so­na­gem, mui­tas ve­zes, ex­tra­pola os li­mi­tes da fic­ção, agre­gando as ca­rac­te­rís­tica e as qua­li­da­des – boas e ruins – do indivíduo.

Isso gera um con­flito no es­pec­ta­dor da pu­bli­ci­dade que, ao ser ex­posto à ela, en­xer­gará em al­guns mo­men­tos o per­so­na­gem e, em ou­tros, a pes­soa. Esta fu­são en­tre o per­so­na­gem e o in­di­ví­duo ex­põe as ca­rac­te­rís­ti­cas des­sas duas fa­ce­tas e suas re­pre­sen­ta­ções sociais.

As­sim, ao ana­li­sar uma peça pu­bli­ci­tá­ria, é pre­ciso en­ten­der que os es­pec­ta­do­res fa­rão co­ne­xões en­tre a men­sa­gem que está sendo pro­posta, a fic­ção e a re­a­li­dade. Dessa ma­neira, tanto a fic­ção quanto os fa­tos da vida real po­de­rão ser, to­dos eles, con­si­de­ra­dos. Po­rém, de an­te­mão, lem­bro que neste caso es­pe­cí­fico do co­mer­cial da Honda é pre­ciso se ater a um fato con­creto e es­pe­cí­fico – e im­por­tante – para se re­a­li­zar uma ava­li­a­ção criteriosa.

Fato

Em 5 de agosto de 2009, a edi­ção 2124 da re­vista Veja trouxe uma ma­té­ria so­bre a de­gra­da­ção da na­tu­reza em An­gra dos Reis [1]. En­tre as mui­tas ir­re­gu­la­ri­da­des, es­tava uma man­são de Lu­ci­ano Huck na ilha das Palmeiras.

Se­gundo a re­vista, o apre­sen­ta­dor te­ria sido aci­o­nado pois a cons­tru­ção de sua casa está so­bre o espelho-d’água e as ro­chas – si­tu­a­ção a qual re­cor­reu e ga­nhou – e, tam­bém, por uma dra­ga­gem com o ob­je­tivo de cons­truir uma praia ar­ti­fi­cial sem ter a de­vida li­cença am­bi­en­tal para realizá-​​la.

Ainda no texto, a única frase atri­buída a Huck é “Não es­tou pre­o­cu­pado. Mas acho im­por­tante que o po­der pú­blico deixe as re­gras mais claras”.

Men­sa­gem

Queremos ajudar a preservar o meio-ambiente e a produzir motocicletas em sintonia com a natureza e o Brasil. Só uma marca como a Honda poderia lançar as primeiras motos flex do mundo. Uma tecnologia desenvolvida aqui no Brasil, mas pensada para o mundo – um mundo melhor. Linha Honda Flex 2011: uma iniciativa verde e amarela para um planeta mais azul.

A pri­meira pa­la­vra pro­nun­ci­ada no co­mer­cial é “queremos” – conjugação no pre­sente da pri­meira pes­soa do plu­ral do verbo que­rer. Ape­sar de ocul­tar o su­jeito “nós”, a as­so­ci­a­ção en­tre o apre­sen­ta­dor Lu­ci­ano Huck e a marca Honda fica evi­dente – jun­tos dis­cur­sam em “de­fensa” de uma causa eco­ló­gica. Por­tanto, no co­mer­cial, Huck é a voz que fala em nome da Honda.

Con­si­de­rando a po­si­ção de­mons­trada pelo apre­sen­ta­dor no epi­só­dio da dra­ga­gem ir­re­gu­lar em An­gra dos Reis, em que de­cla­rou à re­vista Veja que não es­tava pre­o­cu­pado e que o po­der pú­blico de­ve­ria ser mais trans­pa­rente nas ques­tões le­gais, po­de­mos con­cluir que a es­co­lha dele para pro­fe­rir o dis­curso foi, no mí­nimo, in­co­e­rente – des­vir­tu­ando o ob­je­tivo ins­ti­tu­ci­o­nal que está sendo de­fen­dido pela Honda neste comercial.

Para o es­pec­ta­dor que as­siste o co­mer­cial e des­co­nhe o fato no­ti­ci­ado na im­prensa, a men­sa­gem acaba sendo trans­mi­tida, mo­men­ta­ne­a­mente, sem pre­juízo. Po­rém, para aque­les que já sa­biam do acon­te­cido, a men­sa­gem perde a cre­di­bi­li­dade e se torna con­tra­di­tó­ria – até mesmo, enganosa.

Cau­tela

Ape­sar do in­ter­valo de tempo de­cor­rido en­tre a vei­cu­la­ção da no­tí­cia e o iní­cio da cam­pa­nha pu­bli­ci­tá­ria da Honda, se­ria sen­sato res­sal­tar este ponto no pla­ne­ja­mento da ação, le­vando em con­si­de­ra­ção o epi­só­dio ocor­rido com o apre­sen­ta­dor Lu­ci­ano Huck. Ima­gi­nar que os es­pec­ta­do­res não se aten­tam a es­ses de­ta­lhes é cor­rer o risco de to­mar pre­juízo – fi­nan­ceiro ou de ima­gem – caso o fato seja re­lem­brado, ga­nhe vo­lume e se es­pa­lhe pela in­ter­net, pe­las re­des so­ci­ais ou pela im­prensa. Pre­cau­ção, numa si­tu­a­ção como esta, é um fa­tor re­le­vante e que não deve ser con­si­de­rada como ex­cesso de zelo.

Por fim, deixo claro que não te­nho nada con­tra a Honda e nem con­tra o apre­sen­ta­dor Lu­ci­ano Huck. Este caso serve ape­nas como exem­plo para en­fa­ti­zar a im­por­tân­cia de es­tar atento com tudo – o que está acon­te­cendo e o que já acon­te­ceu – para evi­tar trans­tor­nos nas ações de comunicação.

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Comentário(s) para "Para o bem da natureza. Será?"

#1 - Comentário de Ca­rol em 9 de dezembro de 2010 @ 17:00

Um bra­si­leiro com me­mó­ria. É disso que precisamos!!


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[1] a de­gra­da­ção da na­tu­reza em An­gra dos Reis: http://veja.abril.com.br/050809/faxina-ilhas-angra-p-069.shtml

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