Campanha eleitoral: chegou a hora de separar o joio do trigo

sexta-feira, 20 de agosto de 2010 16:43 1 comentário Reflexão

É tempo de cam­pa­nha elei­to­ral. Mais uma vez, es­ta­mos di­ante do “dis­curso” de al­guns in­di­ví­duos que, cla­ra­mente, não têm – e não as­su­mem – a pos­tura sen­sata que con­diz com a im­por­tân­cia das fun­ções pú­bli­cas às quais se can­di­da­ta­ram. Pior do que as ati­tu­des ina­de­qua­das é o des­res­peito ex­plí­cito com os elei­to­res e com o Bra­sil. A má índole de mui­tos can­di­da­tos é trans­pa­rente em suas cam­pa­nhas. Por exem­plo, uma das men­sa­gens vei­cu­la­das pelo can­di­dato Ti­ri­rica foi: “O que é que faz um de­pu­tado fe­de­ral? Na re­a­li­dade eu não sei. Mas vote em mim que eu te conto.”

Além de sa­ti­ri­zar o pa­pel do de­pu­tado fe­de­ral, o “ar­tista” ainda ado­tou como slo­gan de sua cam­pa­nha a frase “Vote no Ti­ri­rica, pior do que tá não fica”, fa­zendo um pés­simo jul­ga­mento so­bre a atual si­tu­a­ção política.

Horário eleitoral apresenta muitos candidatos e poucas propostas relevantes

Dei­xando de lado este exem­plo de me­di­o­cri­dade mo­ral do Ti­ri­rica para re­fle­tir so­bre a “qua­li­dade” dos can­di­da­tos à de­pu­tado es­ta­dual e fe­de­ral, en­con­tra­mos uma ter­rí­vel re­a­li­dade. In­de­pen­dente dos par­ti­dos, co­li­ga­ções ou das ide­o­lo­gias, per­ce­be­mos que há um grande nú­mero de in­di­ví­duos que de­mons­tram inex­pres­siva – quando não au­sente – ex­pe­ri­ên­cia e ca­pa­ci­da­des de li­de­rança, de ges­tão, de re­la­ci­o­na­mento, en­tre ou­tras ca­rac­te­rís­ti­cas que são im­pres­cin­dí­veis para con­quis­tar uma boa atu­a­ção no ce­ná­rio político.

Além disso, para com­ple­tar esta triste re­a­li­dade, se ana­li­sar­mos o “cur­rí­culo” de al­guns can­di­da­tos, en­con­tra­re­mos, en­tre ou­tros as­pec­tos, o grande des­pre­paro in­te­lec­tual, edu­ca­ci­o­nal, téc­nico, pro­fis­si­o­nal. As­sim, é mais do que óbvio que es­sas pes­soas são in­ca­pa­zes de as­su­mir as res­pon­sa­bi­li­da­des ne­ces­sá­rias para as fun­ções que es­tão concorrendo.

A con­clu­são é sim­ples: nós, elei­to­res, de­ve­mos as­su­mir o com­pro­misso de es­co­lher os can­di­da­tos ca­pa­ci­ta­dos para en­con­trar os me­lho­res ca­mi­nhos para o fu­turo de nosso país. Do con­trá­rio, se vo­tar­mos nos “ti­ri­ri­cas” da vida, quem pa­gará o preço de ele­ger des­qua­li­fi­ca­dos se­re­mos nós mesmos.

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Márcio ABC disse:

Caro Bruno, pa­ra­béns pelo texto. Claro e ob­je­tivo. É bom sa­ber que na in­ter­net há pes­soas pre­o­cu­pa­das com coi­sas sé­rias e não ape­nas com ba­bo­sei­ras e fu­ti­li­da­des. Se a me­tade do elei­to­rado pen­sasse e agisse desse modo, cer­ta­mente es­ta­ría­mos num país bem melhor.

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