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Jabulani: a vez da bola
Publicado por Bruno Gonçalves em 21 de junho de 2010 @ 11:08
Tema(s): Design, Marketing
No dialeto zulu, Jabulani significa “para celebrar”, “comemorar”, “felicidade”. Ao escolher esta palavra para nomear a bola oficial da Copa do Mundo de 2010, a Adidas – marca fornecedora das bolas do evento desde 1970 – provavelmente tinha a intenção de “celebrar” os aprimoramentos conquistados no desenvolvimento do objeto que é foco de todas os jogos de futebol. Mas, o resultado alcançado pela marca, em sua totalidade, não tem sido este.

Adidas Jabulani, a bola da Copa de 2010
Apesar do nome festivo, a bola não tem sido motivo de alegria para alguns jogadores – principalmente para os goleiros. Igualmente, a torcida está testemunhando – e sofrendo – com falhas e gols que, normalmente, são raros de ocorrer numa competição de nível profissional, ainda mais numa Copa do Mundo. E, por pior que pareça, a situação não surpreende. Essa era a expectativa antes mesmo do início da competição, graças às críticas negativas sobre a bola que foram apontadas por vários atletas.
O goleiro Júlio César e o atacante Luis Fabiano criticam a bola Jabulani
O torcedor, com toda certeza, assiste uma partida de futebol na expectativa de ver gols. Assim, a justificativa da bola ter sido projetada com o objetivo de “facilitar” os gols é plausível. Porém, sem a mínima dúvida, todo torcedor detesta ver o seu time levar gols que são considerados ridículos, que servem de motivo de piada para os adversários, que podem denegrir a reputação e prejudicar a carreira de seus atletas – e ídolos – e, até mesmo, manchar para sempre a história de seu país numa edição de Copa do Mundo.
Primeiro frango da Copa de 2010 foi protagonizado por Green, da Inglaterra
Antes do início do mundial, a seleção inglesa estava sendo apontada como uma das equipes favoritas ao título. Após a partida de estréia e do gol sofrido pelo goleiro Robert Green, que culminou no empate, não é difícil imaginar quais foram os sentimentos dos jogadores e torcedores ingleses.
Espera-se de uma bola de futebol que ela seja, nada mais, nada menos, do que uma bola de futebol. Portanto, este fator é uma limitação que determina os parâmetros para o desenvolvimento do produto e que deve ser observado e respeitado. Porém, o mercado e os consumidores estarão sempre avaliando as qualidades do produto – de qualquer produto – e a tendência é de que haja uma cobrança constante por melhorias nos produtos ofertados. Assim, para muitas empresas, as atividades relacionadas ao desenvolvimento de novas técnicas de produção e da aplicação de novas matérias-primas são fortes e fazem parte de sua estratégia de marketing da marca.
Estar sempre à frente no desenvolvimento de inovações e de aprimoramentos nas técnicas de produção é uma ambição de grandes marcas que visam surpreender e, se possível, ultrapassar as demandas e os desejos dos consumidores em relação ao produto. Essa estratégia de busca constante por melhorias dos produtos tem sempre o objetivo de diferenciar a marca e seus produtos em relação à concorrência. Portanto, seguindo este conceito, várias inovações não ocorrem por exigências do mercado, mas sim porque os próprios fabricantes tentam antecipar as tendências e querem empurrar as inovações para tentar uma diferenciação e delimitar o seu mercado.
Processo de fabricação da bola Jabulani: inovações técnicas
Assim, é comum encontrar casos de marketing relatando grandes inovações que se tornaram grandes fracassos – independente do segmento de mercado. E porque o fracasso ocorre? Geralmente, a resposta que mais se repete ao longo da história é o fato de que as expectativas dos consumidores eram muito diferentes das inovações que foram propostas pelas marcas.
Levando-se em consideração esta característica histórica que os estudos de marketing nos mostra, e ressaltando que os consumidores-finais das bolas Jabulani são os jogadores e suas seleções, podemos fazer o julgamento de que, talvez, a Adidas tenha agido com ambição em demasia, visando obter grande destaque para a marca durante a Copa do Mundo de 2010.
Toda a publicidade negativa que foi – e continua sendo – gerada em relação à bola Jabulani pode servir como base para uma avaliação de que a marca tenha dado um passo em falso, cometendo um deslize em sua estratégia ao querer prever e antecipar uma demanda que ainda era inexistente por parte dos jogadores – consumidores. Ao fazer sua aposta neste sentido, a Adidas assumiu o risco e, desde já, colhe os seus frutos.
Até o jogo final da Copa do Mundo da África do Sul, a Jabulani ainda poderá fazer mais algumas vítimas ou, quem sabe, consagrar um herói. Será preciso esperar até o dia 11 de julho para saber qual será o fim desta história.
Palavras-chave: Consumo, Estratégia, Fatos, Futebol, Imprensa, Inovação, Marketing, Notícias, Planejamento, Publicidade, VídeosCopyright © Bruno Gonçalves. Todos os direitos reservados.