As interações humanas – individuais e em grupos sociais – com os avanços tecnológicos estão quebrando, com muita intensidade, antigos paradigmas. Este novo cenário, fruto do desejo humano de progresso, está moldando os novos valores para o tempo, a educação, o conhecimento, a comunicação, a economia, a cultura, as relações sociais, o mundo globalizado.
Esta nova realidade, não estática, sofre constantes modificações e é o fator determinante para o estimulo à fragmentação do pensamento, valorizando o imediatismo, a resposta rápida e sucinta, curta e superficial, descartável, que não precisa ser memorizada ou aprendida – afinal, está armazenada e à disposição para consulta por meio de uma infinidade de equipamentos informáticos e da internet –, em detrimento ao pensamento fluído, abrangente, que exige abstração e raciocínio, que obtém respostas elaboradas e questionadoras, que não tem compromisso com a pressa.
Esta problemática só pode ser percebida com integridade por aqueles indivíduos que, assim como eu, são membros dessas gerações de transição. É preciso ter contato com o novo e ter a memória e a experiência com o antigo. Porém, para obter esta percepção, para entender esse novo mundo que está sendo construído, é preciso ter força para se libertar do hoje, do cotidiano, e para olhar para trás, para o nosso passado. Somente nos afastando do que consideramos como moderno podemos fazer juízo de valores comparativos, avaliando os elementos desse novo mundo e os elementos que classificamos como ultrapassados, do mundo antigo.
É preciso buscar as lembranças de um mundo sem computador, internet, telefone celular, controle remoto, vídeo game, caixa eletrônico, alarme, blindagem. Ao pesquisar a nossa memória, podemos lembrar de como era a nossa relação com o tempo, como tínhamos a impressão de que ele passava mais vagarosamente, como todas as coisas aconteciam sem grande urgência, como os momentos da vida eram mais prazerosos. A relação do homem com o tempo era outra. A relação do homem com o trabalho era outra. A relação do homem com a educação era outra. A relação do homem com o homem era outra. A relação do homem consigo mesmo era outra. Ao compararmos o passado com o presente podemos encontrar as grandes mudanças que ocorreram – as boas e as más – em nossas vidas. Ao fazer isso, poderemos tentar aprender os ensinamentos que cada mudança proporcionou e vislumbrar o futuro e as novas mudanças que estão por vir.
A vida é uma grande escola. Assim, basta estar disposto a ler os seus livros para tentar decifrar um pouco os seus códigos. Ao entender essa importância, podemos notar que não uma boa escolha deixar os nossos pensamentos impregnados e nos deixar levar apenas pelas ondas tecnológicas. Os avanços técnicos são fruto do saber humano que contribuem para moldar os hábitos e costumes da sociedade e da cultura – e que, consequentemente, auxiliam a modificar e desenvolver a própria sociedade e suas culturas. Mas esse fato não nos deve levar a uma conclusão empírica de que todas as mudanças proporcionadas pelas novas tecnologias sejam apenas benéficas. Elas também podem ser nocivas. Ao ponto que podemos nos comunicar com outras pessoas com mais facilidade e maior frequência através da internet ou de celulares, por exemplo, também podemos, em contrapartida, estagnar o nosso convívio social e nos enclausurar.
Pensar o mundo, hoje, sem a internet e os novos artifícios tecnológicos é imaginar um mundo utópico, inexistente. Precisamos aprender a conviver com a tecnologia e com todas as mudanças sociais e culturais que ela promove. E o emprego da palavra “aprender” na frase anterior está correta. Ainda não aprendemos a ter equilíbrio, a usar de forma adequada e benéfica os aparatos tecnológicos. Por isso, ao mesmo tempo que estamos conquistando o mundo e diminuindo suas fronteiras físicas, acelerando o acesso à informações, também estamos perdidos no meio de um grande dilúvio, sofrendo perdas na educação, na cultura, nos relacionamentos interpessoais. Estamos em alto mar, nadando – ou, se preferir, navegando – contra a forte correnteza. Portanto, ou admitimos que precisamos aprender a velejar por essa águas agitadas ou iremos nos afogar, pouco a pouco.
Além de aprender é preciso se comprometer a ensinar. As novas gerações não contam com a experiência de viver uma realidade sem computadores, redes, internet. Diferente das gerações anteriores, dificilmente os jovens de hoje conseguirão praticar o exercício de estranhamento em relação ao padrões que foram moldados nas últimas décadas. Esse jovem não conhece o mundo desinformatizado, desconectado e desglobalizado, vagaroso, limitado as fronteiras físicas. Ele já nasceu num mundo diferente, online, multitarefa, multifocal, globalizado e rápido. As futuras gerações não terão o mesmo privilégio que temos hoje para fazer essas avaliações – elas estão nascendo no olho do furacão. É por isso que a nova forma de pensar o mundo, em que todos problemas devem ser resolvidos o mais rápido possível, que todos os questionamentos devem ter a sua resposta de forma imediata, está se sobrepondo, ganhando força. E, basta cada um de nós questionarmos a realidade para avaliar quais são os resultados de toda essa louca aceleração. Quem acelera mais queima mais rápido o seu combustível, anda mais rápido, mas não tem a oportunidade de aproveitar a paisagem.
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3 comentários em:
O mundo fragmentado
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Buraco negro
Comunicação superficial
Cada um no seu quadrado
Eu sou o bom!
Bruno Gonçalves, profissional de comunicação, especialista em comunicação organizacional, propaganda e design gráfico.




Este artigo, no atual estágio da globalização, define a metamorfose (aqui entendida como modificação) do espaço pelo capital resulta num mundo fragmentado. Essa, por sua vez, digere, entre muitos aspectos, a visão de desigualdades sociais, soberania, competitividade (ou competição?!), disputa pelo poder no território, influência da mídia, segragação, enfim, sempre levando a questionar, divergências entre espaço natural e espaço humanizado. Eu poderia apenas comentar a qualidade do artigo, porém essa breve introdução, levou a esse entendimento (o ótimo trabalho de Bruno Gonçalves). Sou estudante do primeiro ano de Geografia e este artigo influenciou, para complementar, meu trabalho acadêmico.
Bom, gostei dessa teoria de mundo fragmentado. Precisava fazer um trabalho sobre socialização por fragmentos e consegui tirar muitas coisas daqui. Todos sabemos que no mundo de hoje não precisamos mais ler um livro para saber de algo, podemos simplrsmente ligar o computador e digitar a pergunta que sempre teremos respostas, nem sempre certas, mas sempre teremos respostas.
Puxa estou me surpreendendo, só tenho 15 anos e já penso assim. Acho que isso é um bom sinal.
Obrigado pela ajuda ai. Valeu!
Nossa, adorei ao ver que devemos voltar aos tempos antigos e além de ir a internet, podemos ir a biblioteca.
Iara Paloma, de Itapebi.