Bruno Gonçalves - http://www.brunogoncalves.com.br
Pierre Lévy e a Cibercultura: 2
Publicado por Bruno Gonçalves em 5 de maio de 2010 @ 12:49
Tema(s): Cibercultura, Comunicação, Livros
Dando continuidade à análise do livro Cibercultura, de Pierre Lévy, acredito que, para valorizar o tema, é preciso não limitar-se apenas aos conceitos criados por Lévy. Assim, nos próximos textos que publicarei, também vou apresentar algumas propostas de outros pensadores e traçar paralelos.
Avanço tecnológico colabora para a transformação da leitura
Apesar de julgar ser esta a melhor opção de trabalho, o enfoque maior ainda será a apresentação e o debate das ideias do filósofo francês. Para iniciar, vou comentar sobre as definições que foram propostas na introdução e no primeiro capítulo do livro, “As tecnologias têm um impacto?”.
Nos vídeos apresentados no post anterior [1], podemos constatar a defesa de vários conceitos que fundamentam os pensamentos do autor. Por exemplo, ao responder uma pergunta em entrevista ao Roda Viva, ele praticamente reproduziu uma ideia que é exposta na introdução de Cibercultura, comparando a passagem do dilúvio de Noé ao que chamou de segundo dilúvio, o informacional. “Na aurora do dilúvio informacional, talvez uma meditação sobre o dilúvio bíblico possa nos ajudar a compreender melhor os novos tempos”. Assim como no livro, neste primeiro vídeo podemos vê-lo descrever a impossibilidade de tentar formar uma nova “arca” com uma seleção que represente o todo, uma vez que o todo está – e continuará – sofrendo transformações constantes e aceleradas devido aos efeitos da cibercultura e, ainda como é mostrado no primeiro capítulo, graças as condições propiciadas pelos avanços tecnológicos, principalmente no ciberespaço.
Vídeo "As Leis da Cibercultura", de Rozane Suzart Gesteira
Essas mudanças constantes na sociedade, na comunicação, na cultura, na produção do sentido, na produção artística, por sua vez, não são determinadas por “impactos” gerados pelas novas tecnologias, mas sim, são “condicionadas” por meio delas. Primeiramente, Lévy faz oposição sobre essa linha de pensamento: “[…] fala-se muitas vezes no ‘impacto’ das novas tecnologias da informação sobre a sociedade ou a cultura. A tecnologia seria algo comparável a um projétil […] e a cultura ou a sociedade a um alvo vivo… Esta metáfora bélica é criticável em vários sentidos”. Posteriormente, ele propõe que as tecnologias da informação – e da comunicação – são resultados das intervenções sociais e culturais. “Defendo, ao contrário, que a técnica é um ângulo de análise dos sistemas sócio-técnicos globais, um ponto de vista que enfatiza a parte material e artificial dos fenômenos humanos, e não uma entidade real, que existiria independente do resto, que teria efeitos distintos e agiria por vontade própria. […] Por trás das técnicas agem e reagem idéias, projetos sociais, utopias, interesses econômicos, estratégias de poder, toda a gama dos jogos dos homens em sociedade”.
Para concluir o primeiro capítulo, Lévy explica a grande influência da variável aceleração em causar a sensação de impacto – de estranheza – “[…] quanto mais rápida é a alteração técnica, mais nos parece vir do exterior” – e, também, juntamente com o ciberespaço e todos os avanços nas tecnologias digitais, a sua importância para estimular a inteligência coletiva e a cibercultura. “Devido ao seu aspecto participativo, socializante, descompartimentalizante, emancipador, a inteligência coletiva proposta pela cibercultura constitui um dos melhores remédios para o ritmo desestabilizante, por vezes excludente, da mutação técnica. Mas, neste mesmo movimento, a inteligência coletiva trabalha ativamente para a aceleração dessa mutação”.
Para finalizar este segundo texto sobre o livro “Cibercultura”, podemos concluir que, para Pierre Lévy, as ambições sociais e culturais são os motores para o fortalecimento e desenvolvimento da cibercultura. Portanto, todas as tecnologias, técnicas, e artifícios físicos – materiais – que estão ligados à ela, como a informática, o ciberespaço, a internet, as novas mídias sociais, entre outros, são frutos – consequência – dessas ambições, e não o contrário, imposições de “entidades exteriores”.
Palavras-chave: Blogs, Blogsfera, Cibercultura, Educação, Inteligência coletiva, Internet, Pierre Lévy[1] post anterior: http://www.brunogoncalves.com.br/2010/04/30/pierre-levy-e-a-cibercultura-1/
[2] : http://www.manuelcastells.info/es/index.htm
Copyright © Bruno Gonçalves. Todos os direitos reservados.
Comentário(s) para "Pierre Lévy e a Cibercultura: 2"
#1 - Comentário de Fernando Pimentel em 5 de maio de 2010 @ 14:20
Caro Bruno e demais internautas,
para que possamos entender os conceitos e as propriedades trabalhadas por Lévy é bom também lermos Manuel Castells (Comunicação e Poder; Sociedade em rede). Inclusive este 1º livro (Comunicaçãoe e Poder) é uma das referências para estudos nos próximos 10 anos, devido sua atualidade nos estudos e por apresentar dados e análises.
Lévy, ao tratar da cibercultura, nos aponta para uma mudança de paradigmas. Estamos - segundo meus estudos - no meio desta quebra, mas ainda há muita coisa a ser realizada.
Fundamental é observarmos que o fator tecnologia não muda a sociedade, mas é a sociedade que muda a tecnologia, ao resignificar as ações humanas e apresentar ferramentas e interfaces que propiciem ao ser humano fazer mais em pouco tempo ou fazer melhor em pouco tempo…
Ê… é papo para muita conversa. Por hora continuemos estudando.
Prof. Me. Fernando Pimentel (UFAL)
#2 - Comentário de Fernando Pimentel em 5 de maio de 2010 @ 14:21
Site de Manuel Castells:
[2]
#3 - Comentário de Luciana Gomes em 6 de maio de 2010 @ 2:54
Olá, muito legal o seu blog, vi o link em uma comunidade do orkut e gostei bastante, passarei sempre por aqui. Parabéns!
#4 - Comentário de Angélica Dias em 17 de abril de 2011 @ 9:32
Colegas, acredito que o caminho agora não tem mais volta. É seguir ou seguir! Seguimos, porém levaremos conosco nossa história, nossa cultura e cada um de nós leva consigo a bagagem de nossa GERAÇÃO com suas características. Como diz o filósofo Nietzsche: “Quando é preciso despedir-se – daquilo que sabes conhecer e medir, é preciso que te despeças, pelo menos por um tempo. Somente depois de teres deixado a cidade verás a que altura suas torres se elevam acima das casas”.