O bom e velho Estadão

sexta-feira, 19 de março de 2010 11:35 1 comentário Comunicação, Design, Marketing

Após anos com a mesma “cara”, o jor­nal O Es­tado de S. Paulo apre­sen­tou o seu novo pro­jeto grá­fico no último do­mingo, 14 de março. Além das mu­dan­ças no pro­duto im­presso, o pro­jeto tam­bém re­for­mu­lou o vi­sual e o con­teúdo do site Estadão.com.br. Agora, se­gundo o pró­prio Es­ta­dão, o site es­tará mais pró­ximo das re­des so­ci­ais e mais fá­cil para navegar.

No­tí­cias so­bre este pro­jeto fo­ram vei­cu­la­das pelo pró­prio jor­nal – em sua ver­são im­pressa e on­line – e de­mons­tra­ram que ha­via mui­tas ex­pec­ta­ti­vas po­si­ti­vas da equipe do Es­ta­dão em re­la­ção ao re­sul­tado das mudanças.


À esquerda, última capa do Estadão com o visual antigo. À direita, a capa da primeira edição do jornal adotando o novo projeto gráfico: mudanças sutis

Em re­la­ção ao novo vi­sual do jor­nal im­presso, agora a di­a­gra­ma­ção das pá­gi­nas está re­al­mente com um as­pecto mais leve, um pouco mais “are­jada” e com o layout mais or­ga­ni­zado, o que se re­flete na capa. Além disso, al­guns no­vos re­cur­sos de di­a­gra­ma­ção va­lo­ri­zam as in­for­ma­ções rá­pi­das e cur­tas, ge­rando mais di­na­mismo à lei­tura e evi­tando lon­gos “blo­cos” de texto. Quanto aos ca­der­nos, as mu­dan­ças cri­a­ram uma iden­ti­dade pró­pria para cada um de­les, cer­ta­mente com a in­ten­ção de bus­car ali­nhar o con­teúdo e o as­pecto vi­sual com a pre­fe­rên­cia de cada per­fil de leitor.

Com tan­tos pon­tos po­si­ti­vos, acaba sendo di­fí­cil fa­zer al­gum co­men­tá­rio di­zendo que algo não agra­dou ou não fi­cou bom. Po­rém, julgo que o único pe­cado co­me­tido no pro­jeto do Es­ta­dão é a nova ti­po­lo­gia, prin­ci­pal­mente a que é ado­tada para os tí­tu­los e que foi de­se­nhada es­pe­ci­al­mente e ex­clu­si­va­mente para o jor­nal. Acre­dito que fal­tou um pouco mais de ou­sa­dia. Nesse ponto, O Es­tado de S. Paulo apre­sen­tou a sua fa­ceta con­ser­va­dora, não ar­ris­cando uma mu­dança sig­ni­fi­ca­tiva. Por­tanto, a nova ti­po­lo­gia é uma re­lei­tura da an­tiga ti­po­lo­gia e so­freu ape­nas al­gu­mas mu­dan­ças su­tis, con­ser­vando for­tes la­ços com a an­tiga iden­ti­dade vi­sual do jornal.


Tipologia adotada pelo Estadão em seu novo projeto gráfico

A con­sequên­cia dessa pos­tura é que, para os lei­to­res co­muns, o pro­jeto grá­fico do jor­nal aca­bou pre­ser­vando, e muito, a “cara” da ver­são an­tiga. E, não há dú­vida de que essa foi a in­ten­ção do Es­ta­dão. Afi­nal, O Es­tado de S. Paulo tem um po­si­ci­o­nado claro com os seus lei­to­res, com o mer­cado edi­to­rial e pu­bli­ci­tá­rio e es­ses “bens” va­li­o­sos de­ve­riam ser pro­te­gi­dos, evi­tando ar­ris­car gran­des mu­dan­ças na ima­gem do produto.

Ou­tra pro­vá­vel con­sequên­cia é que o tão anun­ci­ado pro­jeto grá­fico do Es­ta­dão pode ter frus­trado as ex­pec­ta­ti­vas de parte dos lei­to­res que es­pe­ra­vam mu­dan­ças vi­su­ais mais in­ten­sas. O Es­ta­dão mu­dou, isso é fato. Mas mu­dou es­tru­tu­ral­mente, mu­dou a dis­tri­bui­ção das ma­té­rias, o modo de re­da­ção, de lei­tura. Po­rém, a “cara” do jor­nal – o que o lei­tor vê na banca – con­ti­nua a “cara” do bom e ve­lho Estadão.

Por ou­tro lado, na ver­são on­line, o novo de­se­nho que foi de­sen­vol­vido para o site Estadão.com.br apre­sen­tou no­vi­da­des mais im­pac­tan­tes e fá­ceis de se­rem no­ta­das. Sem dú­vida, essa pos­tura se deve ao fato de que o pú­blico da in­ter­net é mais aberto às mu­dan­ças do que o pú­blico da ver­são im­pressa. Além disso, a grande mai­o­ria dos usuá­rios do meio in­ter­net va­lo­riza as ino­va­ções. Con­tudo, ape­sar das mu­dan­ças, a pá­gina ini­cial con­ti­nua car­re­gada de in­for­ma­ções, prin­ci­pal­mente com um vo­lume grande de texto – pro­blema que ocorre na mai­o­ria dos por­tais de notícias.


À esquerda, visual antigo do Estadão.com.br um dia antes de apresentar as mudanças do novo projeto, à direita: reformulação evidente

En­tre os prós e os con­tras, o saldo po­derá ser po­si­tivo. De al­guma forma, o novo pro­jeto grá­fico do Es­ta­dão aca­bará aju­dando a me­lho­rar o en­tro­sa­mento en­tre o veí­culo e os lei­to­res. Isso, por­que o pro­jeto fo­cou as prin­ci­pais mu­dan­ças nas ten­dên­cias dos “há­bi­tos de con­sumo” de no­tí­cias e busca por in­for­ma­ções, tanto para o jor­nal im­presso quanto para o site.

A par­tir desse mo­mento, o tra­ba­lho é do tempo. As pes­soas, seus cos­tu­mes e os seus há­bi­tos con­sumo e de lei­tura mu­da­ram e con­ti­nuam mu­dando num ritmo ace­le­rado e cons­tante; e a tec­no­lo­gia está con­tri­buindo para isso, fa­ci­li­tando – e muito – o acesso às in­for­ma­ções. O Es­ta­dão fez a sua parte e apli­cou vá­rias mu­dan­ças para ten­tar se en­qua­drar nesta nova re­a­li­dade. Agora va­mos es­pe­rar para sa­ber quais se­rão os re­sul­ta­dos deste pro­jeto, fruto do es­forço de um dos mai­o­res jor­nais diá­rios do Bra­sil na busca por al­ter­na­ti­vas para não per­der o seu es­paço e para po­der en­fren­tar as di­fi­cul­da­des que são im­pos­tas pelo mercado.

1 comentário em:

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Eric Fassoni disse:

Ótimo o ar­tigo Bru­não, muito es­cla­re­ce­dor. Sem dú­vida, e como não po­de­ria ser di­fe­rente, o Es­ta­dão mu­dou sem ou­sar. Bem Es­ta­dão mesmo. Mas não po­de­mos nos es­que­cer de que, a cada pro­jeto grá­fico apre­sen­tado, o veí­culo de co­mu­ni­ca­ção se lança ao olha­res mais crí­ti­cos com o foco de re­ter às aten­ções nos as­pec­tos vi­su­ais, como es­pera ele, po­rém ofe­re­cendo pouca no­vi­dade em con­teú­dos. Es­tes últi­mos que, mesmo numa mí­dia ‘ve­lha’ como o jor­nal, tem um pa­pel so­cial muito im­por­tante na cons­tru­ção da cons­ci­ên­cia da nova ge­ra­ção que se de­sen­volve dessa re­la­ção que vai du­rar muito tempo ainda.

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