Após anos com a mesma “cara”, o jornal O Estado de S. Paulo apresentou o seu novo projeto gráfico no último domingo, 14 de março. Além das mudanças no produto impresso, o projeto também reformulou o visual e o conteúdo do site Estadão.com.br. Agora, segundo o próprio Estadão, o site estará mais próximo das redes sociais e mais fácil para navegar.
Notícias sobre este projeto foram veiculadas pelo próprio jornal – em sua versão impressa e online – e demonstraram que havia muitas expectativas positivas da equipe do Estadão em relação ao resultado das mudanças.


À esquerda, última capa do Estadão com o visual antigo. À direita, a capa da primeira edição do jornal adotando o novo projeto gráfico: mudanças sutis
Em relação ao novo visual do jornal impresso, agora a diagramação das páginas está realmente com um aspecto mais leve, um pouco mais “arejada” e com o layout mais organizado, o que se reflete na capa. Além disso, alguns novos recursos de diagramação valorizam as informações rápidas e curtas, gerando mais dinamismo à leitura e evitando longos “blocos” de texto. Quanto aos cadernos, as mudanças criaram uma identidade própria para cada um deles, certamente com a intenção de buscar alinhar o conteúdo e o aspecto visual com a preferência de cada perfil de leitor.
Com tantos pontos positivos, acaba sendo difícil fazer algum comentário dizendo que algo não agradou ou não ficou bom. Porém, julgo que o único pecado cometido no projeto do Estadão é a nova tipologia, principalmente a que é adotada para os títulos e que foi desenhada especialmente e exclusivamente para o jornal. Acredito que faltou um pouco mais de ousadia. Nesse ponto, O Estado de S. Paulo apresentou a sua faceta conservadora, não arriscando uma mudança significativa. Portanto, a nova tipologia é uma releitura da antiga tipologia e sofreu apenas algumas mudanças sutis, conservando fortes laços com a antiga identidade visual do jornal.

Tipologia adotada pelo Estadão em seu novo projeto gráfico
A consequência dessa postura é que, para os leitores comuns, o projeto gráfico do jornal acabou preservando, e muito, a “cara” da versão antiga. E, não há dúvida de que essa foi a intenção do Estadão. Afinal, O Estado de S. Paulo tem um posicionado claro com os seus leitores, com o mercado editorial e publicitário e esses “bens” valiosos deveriam ser protegidos, evitando arriscar grandes mudanças na imagem do produto.
Outra provável consequência é que o tão anunciado projeto gráfico do Estadão pode ter frustrado as expectativas de parte dos leitores que esperavam mudanças visuais mais intensas. O Estadão mudou, isso é fato. Mas mudou estruturalmente, mudou a distribuição das matérias, o modo de redação, de leitura. Porém, a “cara” do jornal – o que o leitor vê na banca – continua a “cara” do bom e velho Estadão.
Por outro lado, na versão online, o novo desenho que foi desenvolvido para o site Estadão.com.br apresentou novidades mais impactantes e fáceis de serem notadas. Sem dúvida, essa postura se deve ao fato de que o público da internet é mais aberto às mudanças do que o público da versão impressa. Além disso, a grande maioria dos usuários do meio internet valoriza as inovações. Contudo, apesar das mudanças, a página inicial continua carregada de informações, principalmente com um volume grande de texto – problema que ocorre na maioria dos portais de notícias.


À esquerda, visual antigo do Estadão.com.br um dia antes de apresentar as mudanças do novo projeto, à direita: reformulação evidente
Entre os prós e os contras, o saldo poderá ser positivo. De alguma forma, o novo projeto gráfico do Estadão acabará ajudando a melhorar o entrosamento entre o veículo e os leitores. Isso, porque o projeto focou as principais mudanças nas tendências dos “hábitos de consumo” de notícias e busca por informações, tanto para o jornal impresso quanto para o site.
A partir desse momento, o trabalho é do tempo. As pessoas, seus costumes e os seus hábitos consumo e de leitura mudaram e continuam mudando num ritmo acelerado e constante; e a tecnologia está contribuindo para isso, facilitando – e muito – o acesso às informações. O Estadão fez a sua parte e aplicou várias mudanças para tentar se enquadrar nesta nova realidade. Agora vamos esperar para saber quais serão os resultados deste projeto, fruto do esforço de um dos maiores jornais diários do Brasil na busca por alternativas para não perder o seu espaço e para poder enfrentar as dificuldades que são impostas pelo mercado.
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1 comentário em:
O bom e velho Estadão
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Bruno Gonçalves, profissional de comunicação, especialista em comunicação organizacional, propaganda e design gráfico.




Ótimo o artigo Brunão, muito esclarecedor. Sem dúvida, e como não poderia ser diferente, o Estadão mudou sem ousar. Bem Estadão mesmo. Mas não podemos nos esquecer de que, a cada projeto gráfico apresentado, o veículo de comunicação se lança ao olhares mais críticos com o foco de reter às atenções nos aspectos visuais, como espera ele, porém oferecendo pouca novidade em conteúdos. Estes últimos que, mesmo numa mídia ‘velha’ como o jornal, tem um papel social muito importante na construção da consciência da nova geração que se desenvolve dessa relação que vai durar muito tempo ainda.