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Efeito ui!

Publicado por Bruno Gonçalves em 15 de janeiro de 2010 @ 18:10
Tema(s): Comunicação, Design, Marketing, Propaganda


Acre­dito que, ul­ti­ma­mente, te­nho me pos­tado como uma pes­soa bem chata em re­la­ção às coi­sas que es­tão acon­te­cendo na área de co­mu­ni­ca­ção. Canso de ler no­tí­cias, blogs e re­vis­tas, dis­cu­tir com ami­gos so­bre pro­pa­ganda, jor­na­lismo, de­sign, te­le­vi­são, e a mi­nha pos­tura, ra­ra­mente, é a de ver algo e pen­sar “poxa, que grande idéia essa”. Sei que boas idéias há aos mon­tes. Idéias co­pi­a­das, en­tão… Po­rém, idéias ino­va­do­ras que cau­sam grande im­pacto, são pouquíssimas.

Não sou tolo de usar a ve­lha des­culpa de que “sou exi­gente”. Isso não cola. Po­rém, te­nho a mi­nha opi­nião e ava­lio de forma cri­te­ri­osa qual­quer tra­ba­lho de co­mu­ni­ca­ção – seja como arte ou como ob­jeto para al­can­çar uma meta pré-​​estabelecida por um cli­ente. Penso – e de­fendo – que a sim­pli­ci­dade sem­pre é fa­vo­rá­vel e que não é pre­ciso “in­ves­tir um ca­mi­nhão de di­nheiro” para de­sen­vol­ver um tra­ba­lho di­fe­ren­ci­ado – e bom.

Um fa­tor im­por­tante para de­se­nhar este ce­ná­rio, e que se apre­senta como uma ten­dên­cia – e não é de hoje –, é as “ino­va­ções” na co­mu­ni­ca­ção se­rem afe­ta­das pe­las ino­va­ções tec­no­ló­gi­cas e, con­se­quen­te­mente, pe­las no­vas mí­dias que sur­gem gra­ças a esse pro­cesso. O grande des­ta­que – mais uma vez – é a in­ter­net, que nos últi­mos anos tem so­frido cons­tan­tes “mu­ta­ções” e apre­sen­tado no­vi­da­des como blogs e co­mu­ni­da­des vir­tu­ais, e co­lo­cando na pauta con­cei­tos como web 2.0 e in­te­li­gên­cia coletiva.

O que po­de­ria ser bom pelo fato de fa­ci­li­tar o acesso e pro­pa­ga­ção das in­for­ma­ções, a pro­xi­mi­dade com os cli­en­tes, mui­tas ve­zes acaba sendo ma­lé­fico, já que o in­ves­ti­mento em no­vas mí­dias e ca­nais como “grande di­fe­ren­cial” na co­mu­ni­ca­ção acaba sendo mais im­por­tante do que ter boas idéias, do que ela­bo­rar boas men­sa­gens, do que dar o su­porte ade­quado para se ob­ter fe­ed­back. Sem pre­ci­sar ci­tar ca­sos es­pe­cí­fi­cos, nota-​​se que mui­tas em­pre­sas in­ves­ti­ram – gas­ta­ram – muito di­nheiro para co­lo­car si­tes, im­plan­tar blogs, par­ti­ci­par do Twit­ter, Or­kut ou qual­quer ou­tra co­mu­ni­dade, e não se aten­ta­ram para o pla­ne­ja­mento e acom­pa­nha­mento des­sas ações. As­sim, mui­tos des­ses ar­ti­fí­cios se tor­na­ram pí­fios – quando não inú­teis – apre­sen­tando re­sul­ta­dos medíocres.

Por­tanto, an­tes de pen­sar em es­tar na “mí­dia da moda” é pre­ciso sa­ber – ou pelo me­nos ima­gi­nar – como é o com­por­ta­mento das pes­soas di­ante das no­vi­da­des e quais se­rão as suas re­a­ções e ati­tu­des. Caso con­trá­rio, o que mui­tos es­pe­ram como re­sul­tado e clas­si­fi­cam como “efeito uau” pode aca­bar saindo como um tiro pela cu­la­tra, se tor­nando um “efeito ui”.

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