Acredito que, ultimamente, tenho me postado como uma pessoa bem chata em relação às coisas que estão acontecendo na área de comunicação. Canso de ler notícias, blogs e revistas, discutir com amigos sobre propaganda, jornalismo, design, televisão, e a minha postura, raramente, é a de ver algo e pensar “poxa, que grande idéia essa”. Sei que boas idéias há aos montes. Idéias copiadas, então… Porém, idéias inovadoras que causam grande impacto, são pouquíssimas.
Não sou tolo de usar a velha desculpa de que “sou exigente”. Isso não cola. Porém, tenho a minha opinião e avalio de forma criteriosa qualquer trabalho de comunicação – seja como arte ou como objeto para alcançar uma meta pré-estabelecida por um cliente. Penso – e defendo – que a simplicidade sempre é favorável e que não é preciso “investir um caminhão de dinheiro” para desenvolver um trabalho diferenciado – e bom.
Um fator importante para desenhar este cenário, e que se apresenta como uma tendência – e não é de hoje –, é as “inovações” na comunicação serem afetadas pelas inovações tecnológicas e, consequentemente, pelas novas mídias que surgem graças a esse processo. O grande destaque – mais uma vez – é a internet, que nos últimos anos tem sofrido constantes “mutações” e apresentado novidades como blogs e comunidades virtuais, e colocando na pauta conceitos como web 2.0 e inteligência coletiva.
O que poderia ser bom pelo fato de facilitar o acesso e propagação das informações, a proximidade com os clientes, muitas vezes acaba sendo maléfico, já que o investimento em novas mídias e canais como “grande diferencial” na comunicação acaba sendo mais importante do que ter boas idéias, do que elaborar boas mensagens, do que dar o suporte adequado para se obter feedback. Sem precisar citar casos específicos, nota-se que muitas empresas investiram – gastaram – muito dinheiro para colocar sites, implantar blogs, participar do Twitter, Orkut ou qualquer outra comunidade, e não se atentaram para o planejamento e acompanhamento dessas ações. Assim, muitos desses artifícios se tornaram pífios – quando não inúteis – apresentando resultados medíocres.
Portanto, antes de pensar em estar na “mídia da moda” é preciso saber – ou pelo menos imaginar – como é o comportamento das pessoas diante das novidades e quais serão as suas reações e atitudes. Caso contrário, o que muitos esperam como resultado e classificam como “efeito uau” pode acabar saindo como um tiro pela culatra, se tornando um “efeito ui”.
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Efeito ui!
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Bruno Gonçalves, profissional de comunicação, especialista em comunicação organizacional, propaganda e design gráfico.



