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Criatividade em série
Publicado por Bruno Gonçalves em 10 de setembro de 2009 @ 9:59
Tema(s): Propaganda, Reflexão
A criatividade é uma “atividade” que exige competência, empenho, estudo, tempo e inúmeros fatores que formam uma lista muito extensa. Na propaganda, esse esforço criativo está relacionado, entre outras coisas, ao planejamento de campanha, à estratégia, ao desenvolvimento das ações promocionais e institucionais, a produção das peças de comunicação.
Esses trabalhos, apesar de serem “sistematizados” através de rotinas para agilizar o processo criativo, como a elaboração de um briefing (levantamento de informações do cliente e suas necessidades) e a dedicação em realizar reuniões de brainstorm (tempestade de idéias), requerem mais do que isso, exigindo dos profissionais de propaganda o envolvimento com a “causa” do cliente. É necessário sentir a situação colocando-se no lugar do cliente, entendendo como é sua empresa ou produto, quais são as suas expectativas em relação ao mercado, suas dificuldades em relação à concorrência, seus potenciais, seus pontos fracos, onde ele quer chegar.
Deve-se entender que nem sempre as idéias mais brilhantes, as peças publicitárias mais bonitas e bem produzidas, os textos mais emocionantes, as ações promocionais mais bem “planejadas”, resolvem os problemas do cliente, vendem seus produtos ou serviços, constroem sua imagem na mente dos consumidores. Para o cliente, a criatividade está relacionada ao resultado final, a conquista dos objetivos que foram traçados e não apenas ao processo de “criar” coisas bonitas ou dizer palavras que agradam.
Os profissionais de propaganda que adotam essa filosofia de criatividade apenas sob o enfoque do belo geram uma “fábrica” de coisas bonitas, banalizando os princípios da propaganda que estão relacionados à construção de marcas, aos processos vendas e de fixação de idéias, transformando a criatividade que é esperada pelo cliente em resultado de produção em série, sem nenhum diferencial moldado para atender suas necessidades específicas. É necessário entender e assumir uma postura de “vender” ao cliente a criatividade que alcança resultados, pois o dinheiro que ele investe em ações de propaganda alimenta os seus sonhos de crescer, de ampliar seus negócios, de conquistar mercados. E dinheiro não é mato.
Nada impede unir o útil ao agradável. É lógico que somar as duas “criatividades”, a que vende e a que é bela, é determinante para desenvolver um bom trabalho, que alcança resultados positivos e que é eficiente em seu objetivo, e que, também, transmita uma mensagem que se destaque em relação à comunicação dos concorrentes.
O importante é evitar a “propaganda empacotada” como solução; aquela que é “bonitinha”, fácil e rápido de produzir e que, em muitos casos, alcança resultados deficientes para os clientes – isso quando alcança.
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