Grande parte da propaganda produzida no Brasil é feita de forma amadora. Essa é uma realidade muito fácil de constatar, principalmente nos veículos de comunicação do interior – emissoras de TV, rádios, jornais e revistas –, em peças impressas, na mídia externa, na internet, entre outros canais.
Um fator de grande influência para sustentar esse cenário é a falta de qualificação dos profissionais que atuam no mercado, com “agências” oportunistas e “picaretas” que oferecem serviços sem a preocupação de alcançar bons resultados com os investimentos feitos pelos clientes.
Dessa forma, as empresas que literalmente queimam o seu dinheiro trabalhando com esse perfil de profissional não conseguem enxergar a propaganda como um investimento, mas sim como uma despesa. Outro fator importante são os próprios veículos de comunicação – como jornais e rádios – que vendem seus espaços publicitários diretamente para os anunciantes e oferecem a produção da peça de comunicação como um brinde incluso no “pacote”. Normalmente, nessa prática, o trabalho de comunicação desenvolvido é básico e superficial, já que, costumeiramente, fica a cargo dos departamentos comerciais dos próprios veículos.

Peças chamam a atenção pela criatividade de gosto duvidoso
O pensamento de que a propaganda gasta dinheiro e não traz resultados tornou-se um fato concreto graças à esse círculo vicioso entre a postura empresarial e os “publicitários” desqualificados. Esse aspecto, direta ou indiretamente, reflete no altíssimo percentual das empresas brasileiras que não conseguem comemorar o seu primeiro aniversário.
Para mudar o cenário, é necessário fazer um trabalho de conscientização sobre os efeitos maléficos da propaganda amadora. E esse trabalho pode ser realizado pelos próprios profissionais de comunicação – os qualificados – que sabem o quanto é prejudicial trabalhar num setor “prostituído”. Não é necessário fazer uma mega-campanha nacional em TV, jornal e revista, nem é preciso investimento de altas cifras para se difundir a idéia. Mesmo porque quem mais sofre com os problemas gerados por essa situação são as pequenas agências e os profissionais independentes, que não atendem grandes contas e disputam o mercado de forma injusta com os “picaretas”.
A disseminação da cultura da propaganda profissional deve expor essa situação do mercado e pode usá-la até como artifício para destacar as vantagens de se trabalhar com uma agência ou profissional de propaganda qualificado. É uma maneira de combater, mesmo que timidamente, o trabalho de pessoas sem qualificação que comprometem a propaganda no Brasil. É importante plantar essa semente para que um dia esse quadro possa melhorar, tanto para as agências e profissionais, quanto para as empresas que investem em propaganda e não alcançam bons resultados.
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Propaganda profissional
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Bruno Gonçalves, profissional de comunicação, especialista em comunicação organizacional, propaganda e design gráfico.




Fora os veículos “picaretas” que só querem saber de faturar com o departamento comercial e as agências que, de certa forma, não deixam de ser nada mais que “casas de designer da pior qualidade”, preocupadas em vender peças gráficas e não dar soluções em publicidade e propaganda, existe o ponto que na minha opinião é crucial e eliminaria toda essa corja de picaretas. No caso me refiro a falta de conhecimento dos empresários em saber como uma agência de publicidade deve se comportar e porque contratar uma.