Pão e circo, digo, TV
Acabo de almoçar com a minha família e tive a oportunidade de presenciar um “debate”, no mínimo, curioso. Meus pais e irmãos estavam comentando sobre a guerra de audiência na TV que ocorre entre Malhação (Globo), Ratinho (SBT), Datena (Band) e Pica-Pau (Record). Esses programas são transmitidos entre o horário das 17h30 e 18h30.
Conforme pude apurar – afinal, as fontes não são muito confiáveis –, o Ratinho está declarando que conquistou o segundo lugar em audiência. Esse foi o fato que iniciou toda a discussão na mesa. Porém, distante de querer concluir quem é realmente o líder de audiência, vou apenas traçar um paralelo e fazer uma breve análise sobre outras questões. Não me interessa o ranking, me interessa o que estão mostrando para as pessoas.
Primeiro, o perfil de cada um dos programas apresentam diferenças. Malhação é uma “novela” voltada ao público adolescente, abordando assim temas – tchuqui, tchuqui – relacionados a essa fase da vida. O Ratinho apresenta um programa de auditório com reportagens curiosas, notícias populares, humor negro, contando com quadros que geram polêmica. O Brasil Urgente, apresentado pelo Datena, é um telejornal que explora notícias violentas e problemas sociais, pautado pelas críticas – muitas vezes desfocadas – de seu apresentador. O Pica-Pau, como todos sabem, é um desenho de muito sucesso, muito bem humorado, que consegue agradar tanto as crianças, como jovens e adultos.

Segundo, os grandes canais de televisão se dedicam, cada vez mais, a brigar por maiores índices de audiência. Essa briga é justificada pelos espaços publicitários, que acabam sendo valorizados e são os principais responsáveis por gerar receita para os canais. Dessa forma, analisando sob o ponto de vista comercial, o índice de audiência acaba sendo mais importante do que a qualidade do conteúdo dos programas.
Terceiro, e mais importante, é o grande público espectador. O povão, essa massa trabalhadora que sustenta o Brasil, que não acesso a educação de qualidade, a saúde, a cultura, ao lazer, a inclusão digital. Esse mesmo povo é o “alvo” da programação de baixo teor crítico gerado pelos grandes canais abertos, que apresentam um mundo de falsas fantasias, personagens do cotidiano que sofrem com a criminalidade, banalização dos valores morais e éticos, discussões medíocres. Ou é isso, estampado na nossa cara, ou é nada disso. Tem aqueles que preferem apenas fazer o povão rir para esquecer as desgraças da vida – He, he, he, he!
A política do pão e circo nunca acabou. Apenas foi transformada. E hoje, não precisamos nem ir até o circo, afinal, o circo vem até nós. Essa política de alienação só irá acabar, para cada um de nós, no momento em que decidirmos quem é o palhaço. Se é o grande canal de televisão com conteúdo medíocre ou se somos nós telespectadores.
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1 comentário para “Pão e circo, digo, TV”
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Ótimo texto! A TV é o verdadeiro pão é circo do seculo XXI!