Sempre critiquei essa postura de “queimar dinheiro” em campanhas de comunicação. Essa declaração pode até parecer um devaneio meu, afinal de contas, quem é louco o bastante para jogar dinheiro fora?
Porém, não é preciso fazer muito esforço para notar que isso acontece nas empresas e agências com mais frequência do que se imagina. A discussão sobre esse assunto não é recente. Há alguns anos, durante uma reunião numa agência, usei o termo “panfretagem” – com a letra “r” mesmo – para citar essa nociva característica do mercado publicitário de desperdiçar a verba dos clientes em ações equivocadas – para não dizer burras.
Para mim, “panfretagem” nada mais é do que uma ação de comunicação que se caracteriza pela falta de planejamento e que, diante dos esforços empregados, poderá gerar resultados pequenos ou nulos. Como é de conhecimento dos profissionais de comunicação, o panfleto é um artifício que tem uma péssima précisão, uma vez que ao ser distribuído nas vias públicas, atinge uma parcela mínima do público-alvo, com um retorno – o que não implica em fechamento de negócios – de aproximadamente 1%.
Se você é publicitário ou empresário – ou não –, basta colocar a cabeça para pensar um pouco. Sabemos que para se atingir uma meta ou objetivo é preciso fazer um planejamento prévio. Caso contrário, sem planejamento, o resultado alcançado pode não ser o esperado – e normalmente não é. Assim, sem dúvidas, dois pontos são imprescindíveis para uma campanha de comunicação alcançar bons resultados – principalmente sem desperdício de dinheiro: o planejamento de comunicação e o planejamento de mídia.
Se, por um lado, o planejamento de comunicação determina a forma como os consumidores serão abordados, o formato das mensagens e o conteúdo de cada peça de comunicação, por outro, o planejamento de mídia é essencial para determinar os veículos de comunicação mais apropriados para chegar aos consumidores e a forma mais inteligente para distribuir a verba do cliente, visando otimizar os resultados da campanha.
Outro problema comum dos profissionais de comunicação é valorizar – de forma exagerada – a criatividade como diferencial. A criatividade é sim um fator que gera resultados positivos para uma campanha. Porém, sozinha, dificilmente conseguirá alcançar todos objetivos. Pensar numa campanha é como pensar num time de futebol. Não basta ter apenas bons atacantes. É preciso ter um bom goleiro e uma defesa bem armada para evitar os gols, ter um meio de campo organizado e inteligente para neutralizar as jogadas dos adversários e criar as oportunidades de gols. Portanto, por mais que a criatividade seja um fator importante e sobressaia numa campanha, seja através de um tema inteligente ou de peças bem produzidas, poderá gerar um retorno muito pequeno – ou nulo – se as ações não forem planejadas previamente e realizadas nos momentos certos, através das ferramentas apropriadas, dos veículos de comunicação adequados e com a abrangência necessária para alcançar os objetivos esperados. Portanto, para evitar grandes erros estratégicos e não queimar o dinheiro do cliente em ações ou campanhas de comunicação é preciso se dedicar ao planejamento.
Além de todas essas questões técnicas da comunicação, outro fator essencial é a postura ética que deve ser assumida pelas agências e pelos profissionais de comunicação – o que muitas vezes não ocorre. É preciso ter muito respeito pelos clientes e pelo dinheiro que é investido por eles. Assim, é fundamental que agências e profissionais sejam sinceros com os seus clientes e não criem falsas expectativas por resultados difíceis ou impossíveis, ou pior, que façam promessas “milagrosas”. Portanto, se um cliente deseja um resultado grande e não tem capacidade financeira para promover uma campanha que possa alcançar os objetivos que almeja, nada mais justo do que orientá-lo a esse respeito, informando que o seu investimento provavelmente não causará o impacto que espera.
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1 comentário em:
Queimando dinheiro
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Relamente, é bem o que estive estudando esses tempos na faculdade (faço Publicidade). A queima de dinheiro é, simplificadamente falando, falta de usar a cuca.
Muitas vezes não precisamos de idéias criativamente mirabolantes, apenas de pé no chão e raciocínio lógico.
Penso que as empresas deviam prestar mais atenção em como as agências de pp gastam o dinheiro que lhes é conferido.
Enfim...
Muito bom o texto