Após a repercussão na Tuitosfera da troca de farpas entre Marcelo Tas – @marcelotas –, apresentador do CQC, e Diego Mainardi – @diogomainardi –, colunista da Veja, a poeira, aparentemente, baixou. Porém, tiro algumas conclusões pessoais sobre esse episódio.
Primeiro, o texto de Diogo Mainardi publicado na Veja, apresenta, nada mais, do que sua visão superficial sobre a rede social Twitter e sobre as mudanças sociais que ocorreram entre os séculos 20 e 21 graças aos avanços tecnológicos e a expansão da internet.
É fato, e todos sabem, que esses fatores foram os grandes responsáveis pela nova realidade construída no século 21, que modificou os conceitos de trabalho e de remuneração, o relacionamento entre as pessoas e os hábitos de consumo. Porém, a maioria das pessoas não consegue assimilar todas essas mudanças, assim como o próprio Mainardi, que “entregou o ouro” em seu artigo. Mas isso não é pecado, muito menos motivo para preocupação. Estamos vivendo num mundo de mudanças constantes. Agora, nada mais é como foi ontem. Portanto, o que hoje pode ter algum valor, amanhã acaba sendo coisa do passado e torna-se descartável.
Assim, generalizando, a opinião de Mainardi representa o pensamento daquelas pessoas que, de alguma forma, não conseguem acompanhar as mudanças. Elas acabam se incomodando tanto com esse fato que chegam ao ponto de criticar as pessoas que se destacam por estar sempre no “timing”, acompanhando de perto todas as mudanças – ou criticam o novo para “valorizar” o antigo. Sem muito esforço é fácil identificar esses indivíduos. Observe o “patrão” ou colega de trabalho que só fala “como era bom o passado”, os “novos velhos” que acham que internet é perda de tempo ou que não sabem usar um celular e cartão de crédito, as pessoas que não conseguem pegar um refrigerante de máquina, e por ai vai.
Do outro lado, está Marcelo Tas, que sempre está na “crista da onda”, seguindo as tendências e sendo pioneiro nas novidades, ditando a moda. Não discordo da postura que ele assume. Afinal, é um profissional de comunicação reconhecido, vive do seu trabalho e é referência graças a sua competência. Logo, com todas as oportunidades de negócios que surgem através da internet e das redes sociais, nada mais justo do que trabalhar e ganhar dinheiro com isso. Porém, foi justamente nesse ponto que Tas ficou incomodado. A alfinetada que levou do Diogo Mainardi, que o descreveu como o homem sanduíche do século 21 – referência àqueles indivíduos que trabalham “vestidos” por placas publicitárias –, foi o estopim para a discussão entre os dois através do Twitter.
Ficou claro que, se por um lado as pessoas que não acompanham as novidades ficam incomodadas com aquelas que se atualizam rapidamente e se destacam junto às mudanças, por outro, as pessoas que sempre estão seguindo as tendências acabam se irritando com a opinião contrária dos saudosistas, aqueles indivíduos que andam “mais devagar”. Tem gente que dá tanta importância para o novo que acaba achando que o antigo não vale a pena. O mundo não vai acabar amanhã – acredito – e cada é livre para acreditar e escolher o que achar melhor para a sua vida.
Assim, penso que tanto o Diogo Mainardi como o Marcelo Tas não estão nem certos e nem errados. Cada um tem a sua opinião, fizeram as suas escolhas e, como são diferentes, não há o que discutir.
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6 comentários em:
Ego e nada mais
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A “maçã” mais esperada do ano
Bruno Gonçalves, profissional de comunicação, especialista em comunicação organizacional, propaganda e design gráfico.




Eu e estou comentando. Muito bom!
Quem ganhou com essa discussão deles foram as duas empresas que patrocinam cada um e nós que acompanhamos tudo com certo bom humor-negro. Eu, que já não concordava muito com algumas tolices que o Sr Mainardi costuma proferir, adorei saber que pessoas que admiro no meio da comunicação também partilham dessa opinião. Mas pessoas polêmicas ganham destaque porque dão ibope.
Fala Brunão, só passei dar uma cheretada…olha a hora hauhaua
Ainda passo por aqui pra fuçar nos históricos…
Abraço!
Muito bom. Mss não é só questão de estar ou não antenado para a “crista da onda”. É que tem quem NÃO PRECISE de hashtags para ganhar uma boa grana, pegou? Quem precisa disso quando se ganha por mês mais do que as mídia$ sociai$ po$$am oferecer?
Quanto ao resto, me divirto ao ver o povinho cantando vitória antes do tempo, como se o Diogo tivesse “fugido” ou “se ferrado”. O pessoal não sabe da missa a metade. Mané precisa se ligar que cuspida de passarinho não faz nem cosquinha em elefante. O resto é mágoa de cabocla de neguim que um dia tentou trampar pra família Mainardi mas levou um pé na bunda. #prontofalei
Olá Cris,
Você defende o Mainardi porque é seu amigo – ou, pelo menos, acredita que é. Você mesma já deixou isso bem claro, assim como também disse no seu blog que apenas conhece o trabalho do Tas.
Como eu não sou amigo do Tas e nem do Mainardi – e, até o momento, nem de você – apenas apresentei o meu ponto de vista de profissional de comunicação que está vendo “a coisa” do lado de fora, sem sofrer com algumas interferências que, nesse caso, você sofre.
Sobre a questão da origem do dinheiro que paga o salário de “Fulaninho” ou “Cicraninho”, isso pouco me importa e, acredito, também não faz diferença para quem é audiência de um ou de outro.
Não é notório o fato de “seu amigo” não ter “encarado” o debate ou, com suas palavras: “[…] como se o Diogo tivesse ‘fugido’ ou ‘se ferrado’ […]”. Quem trabalha num veículo de comunicação unilateral, que assume uma postura de “pouca conversa, muita porrada”, que fala o que quer e não ouve nada – porque não quer ouvir ou porque não faz questão de ouvir –, não está acostumado a receber opiniões contrárias. Ou seja, a situação, como sempre, não seria mais óbvia do que evitar o diálogo.
Quem diz que é do século passado e, pior, ainda pensa como se estivesse no século passado, que acredita estar caminhando montado num “elefante” que impõe a sua força frente à nova realidade do mundo, está com os dias contados. Assim como o próprio “elefante” e assim como o século 20, que já passou, mas que ainda nos deixa alguns requícios de pensamentos ultrapassados.
Assim, nada melhor do que o esperar a ação do tempo para encontrarmos as respostas certas.
Bruno: eu não “defendo” ninguém. O Diogo não precisa que ninguém o defenda. Isto é apenas minha opinião.
“Fala o que quer e não ouve nada”… “Não está acostumado a opiniões contrárias”. Well, se tem uma coisa a que o Diogo está acostumado é justamente a isto. Tempos atrás, 90% das cartas que chegavam à Veja eram contrárias a ele, muitas pedindo sua demissão, com ameaças de boicote à revista. Hoje, via Twitter, Orkut (sim, ele tem Orkut e lê o que escrevem lá) e e-mails, estão ofensas e ataques pessoais, não só a ele, mas à família e ao filho, que nada têm com a história, sendo que, ao contrário de muitos dos que emitem as tais “opiniões contrárias”, Diogo nunca apelou para palavras de baixo calão e ataques à família de alguém (a não ser em fatos que envolvem cargos e dinheiro público, como no caso do Lulinha, Franklin, etc). Enfim, tolerância ele tem - e até demais, na minha opinião. Mas vamos combinar que existe uma grande diferença entre “não estar aberto a feedbacks” e não querer ficar “tuitando”, não é?
Então os grandes jornais e revistas “unilaterais” não dispõem de canais de comunicação com seus leitores? Não disponibilizam endereços, nem e-mails, nadica de nada que permita a quem os lê emitir opinião sobre o que leu? Nem as cartas e e-mails direcionados a estes veículos jamaaaaais chegam aos jornalistas que escrevem/falam neles? Que coisa, hein? ¬¬
E a maior prova do conceito “pouca conversa, muita porrada” está aqui: olha eu aqui, lendo o que você escreve, concordando em parte, discordando em tantas outras, mas te dedicando alguns minutos do meu tempo para te responder. De novo: que coisa, hein?
Como profissional de comunicação, permita-me dizer que nada mais “pensamento ultrapassado do século XX” do que acreditar numa suposta imparcialidade obrigatória a todos os veículos de comunicação, tão propagada nas cadeiras das universidades por professores esquerdistas.
Em tempo: se o “elefante” tivesse mesmo a capacidade de impor sua força frente ao mundo, o mundo não estaria do jeito que está, pode crer.