Ego e nada mais

sexta-feira, 24 de abril de 2009 13:50 6 comentários Etc, Reflexão

Após a re­per­cus­são na Tui­tos­fera da troca de far­pas en­tre Mar­celo Tas – @marcelotas –, apre­sen­ta­dor do CQC, e Di­ego Mai­nardi – @diogomainardi –, co­lu­nista da Veja, a po­eira, apa­ren­te­mente, bai­xou. Po­rém, tiro al­gu­mas con­clu­sões pes­so­ais so­bre esse episódio.

Pri­meiro, o texto de Di­ogo Mai­nardi pu­bli­cado na Veja, apre­senta, nada mais, do que sua vi­são su­per­fi­cial so­bre a rede so­cial Twit­ter e so­bre as mu­dan­ças so­ci­ais que ocor­re­ram en­tre os sé­cu­los 20 e 21 gra­ças aos avan­ços tec­no­ló­gi­cos e a ex­pan­são da internet.

É fato, e to­dos sa­bem, que es­ses fa­to­res fo­ram os gran­des res­pon­sá­veis pela nova re­a­li­dade cons­truída no sé­culo 21, que mo­di­fi­cou os con­cei­tos de tra­ba­lho e de re­mu­ne­ra­ção, o re­la­ci­o­na­mento en­tre as pes­soas e os há­bi­tos de con­sumo. Po­rém, a mai­o­ria das pes­soas não con­se­gue as­si­mi­lar to­das es­sas mu­dan­ças, as­sim como o pró­prio Mai­nardi, que “en­tre­gou o ouro” em seu ar­tigo. Mas isso não é pe­cado, muito me­nos mo­tivo para pre­o­cu­pa­ção. Es­ta­mos vi­vendo num mundo de mu­dan­ças cons­tan­tes. Agora, nada mais é como foi on­tem. Por­tanto, o que hoje pode ter al­gum va­lor, ama­nhã acaba sendo coisa do pas­sado e torna-​​se descartável.

As­sim, ge­ne­ra­li­zando, a opi­nião de Mai­nardi re­pre­senta o pen­sa­mento da­que­las pes­soas que, de al­guma forma, não con­se­guem acom­pa­nhar as mu­dan­ças. Elas aca­bam se in­co­mo­dando tanto com esse fato que che­gam ao ponto de cri­ti­car as pes­soas que se des­ta­cam por es­tar sem­pre no “ti­ming”, acom­pa­nhando de perto to­das as mu­dan­ças – ou cri­ti­cam o novo para “va­lo­ri­zar” o an­tigo. Sem muito es­forço é fá­cil iden­ti­fi­car es­ses in­di­ví­duos. Ob­serve o “pa­trão” ou co­lega de tra­ba­lho que só fala “como era bom o pas­sado”, os “no­vos ve­lhos” que acham que in­ter­net é perda de tempo ou que não sa­bem usar um ce­lu­lar e car­tão de cré­dito, as pes­soas que não con­se­guem pe­gar um re­fri­ge­rante de má­quina, e por ai vai.

Do ou­tro lado, está Mar­celo Tas, que sem­pre está na “crista da onda”, se­guindo as ten­dên­cias e sendo pi­o­neiro nas no­vi­da­des, di­tando a moda. Não dis­cordo da pos­tura que ele as­sume. Afi­nal, é um pro­fis­si­o­nal de co­mu­ni­ca­ção re­co­nhe­cido, vive do seu tra­ba­lho e é re­fe­rên­cia gra­ças a sua com­pe­tên­cia. Logo, com to­das as opor­tu­ni­da­des de ne­gó­cios que sur­gem atra­vés da in­ter­net e das re­des so­ci­ais, nada mais justo do que tra­ba­lhar e ga­nhar di­nheiro com isso. Po­rém, foi jus­ta­mente nesse ponto que Tas fi­cou in­co­mo­dado. A al­fi­ne­tada que le­vou do Di­ogo Mai­nardi, que o des­cre­veu como o ho­mem san­duí­che do sé­culo 21 – re­fe­rên­cia àque­les in­di­ví­duos que tra­ba­lham “ves­ti­dos” por pla­cas pu­bli­ci­tá­rias –, foi o es­to­pim para a dis­cus­são en­tre os dois atra­vés do Twitter.

Fi­cou claro que, se por um lado as pes­soas que não acom­pa­nham as no­vi­da­des fi­cam in­co­mo­da­das com aque­las que se atu­a­li­zam ra­pi­da­mente e se des­ta­cam junto às mu­dan­ças, por ou­tro, as pes­soas que sem­pre es­tão se­guindo as ten­dên­cias aca­bam se ir­ri­tando com a opi­nião con­trá­ria dos sau­do­sis­tas, aque­les in­di­ví­duos que an­dam “mais de­va­gar”. Tem gente que dá tanta im­por­tân­cia para o novo que acaba achando que o an­tigo não vale a pena. O mundo não vai aca­bar ama­nhã – acre­dito – e cada é li­vre para acre­di­tar e es­co­lher o que achar me­lhor para a sua vida.

As­sim, penso que tanto o Di­ogo Mai­nardi como o Mar­celo Tas não es­tão nem cer­tos e nem er­ra­dos. Cada um tem a sua opi­nião, fi­ze­ram as suas es­co­lhas e, como são di­fe­ren­tes, não há o que discutir.

6 comentários em:

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Silvia disse:

Eu e es­tou co­men­tando. Muito bom!

@Maphalda disse:

Quem ga­nhou com essa dis­cus­são de­les fo­ram as duas em­pre­sas que pa­tro­ci­nam cada um e nós que acom­pa­nha­mos tudo com certo bom humor-​​negro. Eu, que já não con­cor­dava muito com al­gu­mas to­li­ces que o Sr Mai­nardi cos­tuma pro­fe­rir, ado­rei sa­ber que pes­soas que ad­miro no meio da co­mu­ni­ca­ção tam­bém par­ti­lham dessa opi­nião. Mas pes­soas po­lê­mi­cas ga­nham des­ta­que por­que dão ibope.

Danilo Medola disse:

Fala Bru­não, só pas­sei dar uma cheretada…olha a hora hauhaua
Ainda passo por aqui pra fu­çar nos his­tó­ri­cos…
Abraço!

Muito bom. Mss não é só ques­tão de es­tar ou não an­te­nado para a “crista da onda”. É que tem quem NÃO PRECISE de hash­tags para ga­nhar uma boa grana, pe­gou? Quem pre­cisa disso quando se ga­nha por mês mais do que as mí­dia$ so­ciai$ po$$am oferecer?

Quanto ao resto, me di­virto ao ver o po­vi­nho can­tando vi­tó­ria an­tes do tempo, como se o Di­ogo ti­vesse “fu­gido” ou “se fer­rado”. O pes­soal não sabe da missa a me­tade. Mané pre­cisa se li­gar que cus­pida de pas­sa­ri­nho não faz nem cos­qui­nha em ele­fante. O resto é má­goa de ca­bo­cla de ne­guim que um dia ten­tou tram­par pra fa­mí­lia Mai­nardi mas le­vou um pé na bunda. #prontofalei

Olá Cris,

Você de­fende o Mai­nardi por­que é seu amigo – ou, pelo me­nos, acre­dita que é. Você mesma já dei­xou isso bem claro, as­sim como tam­bém disse no seu blog que ape­nas co­nhece o tra­ba­lho do Tas.

Como eu não sou amigo do Tas e nem do Mai­nardi – e, até o mo­mento, nem de você – ape­nas apre­sen­tei o meu ponto de vista de pro­fis­si­o­nal de co­mu­ni­ca­ção que está vendo “a coisa” do lado de fora, sem so­frer com al­gu­mas in­ter­fe­rên­cias que, nesse caso, você sofre.

So­bre a ques­tão da ori­gem do di­nheiro que paga o sa­lá­rio de “Fu­la­ni­nho” ou “Ci­cra­ni­nho”, isso pouco me im­porta e, acre­dito, tam­bém não faz di­fe­rença para quem é au­di­ên­cia de um ou de outro.

Não é no­tó­rio o fato de “seu amigo” não ter “en­ca­rado” o de­bate ou, com suas pa­la­vras: “[…] como se o Di­ogo ti­vesse ‘fu­gido’ ou ‘se fer­rado’ […]”. Quem tra­ba­lha num veí­culo de co­mu­ni­ca­ção uni­la­te­ral, que as­sume uma pos­tura de “pouca con­versa, muita por­rada”, que fala o que quer e não ouve nada – por­que não quer ou­vir ou por­que não faz ques­tão de ou­vir –, não está acos­tu­mado a re­ce­ber opi­niões con­trá­rias. Ou seja, a si­tu­a­ção, como sem­pre, não se­ria mais óbvia do que evi­tar o diálogo.

Quem diz que é do sé­culo pas­sado e, pior, ainda pensa como se es­ti­vesse no sé­culo pas­sado, que acre­dita es­tar ca­mi­nhando mon­tado num “ele­fante” que im­põe a sua força frente à nova re­a­li­dade do mundo, está com os dias con­ta­dos. As­sim como o pró­prio “ele­fante” e as­sim como o sé­culo 20, que já pas­sou, mas que ainda nos deixa al­guns requí­cios de pen­sa­men­tos ultrapassados.

As­sim, nada me­lhor do que o es­pe­rar a ação do tempo para en­con­trar­mos as res­pos­tas certas.

Cris disse:

Bruno: eu não “de­fendo” nin­guém. O Di­ogo não pre­cisa que nin­guém o de­fenda. Isto é ape­nas mi­nha opinião.

“Fala o que quer e não ouve nada”… “Não está acos­tu­mado a opi­niões con­trá­rias”. Well, se tem uma coisa a que o Di­ogo está acos­tu­mado é jus­ta­mente a isto. Tem­pos atrás, 90% das car­tas que che­ga­vam à Veja eram con­trá­rias a ele, mui­tas pe­dindo sua de­mis­são, com ame­a­ças de boi­cote à re­vista. Hoje, via Twit­ter, Or­kut (sim, ele tem Or­kut e lê o que es­cre­vem lá) e e-​​mails, es­tão ofen­sas e ata­ques pes­so­ais, não só a ele, mas à fa­mí­lia e ao fi­lho, que nada têm com a his­tó­ria, sendo que, ao con­trá­rio de mui­tos dos que emi­tem as tais “opi­niões con­trá­rias”, Di­ogo nunca ape­lou para pa­la­vras de baixo ca­lão e ata­ques à fa­mí­lia de al­guém (a não ser em fa­tos que en­vol­vem car­gos e di­nheiro pú­blico, como no caso do Lu­li­nha, Fran­klin, etc). En­fim, to­le­rân­cia ele tem - e até de­mais, na mi­nha opi­nião. Mas va­mos com­bi­nar que existe uma grande di­fe­rença en­tre “não es­tar aberto a fe­ed­backs” e não que­rer fi­car “tui­tando”, não é?

En­tão os gran­des jor­nais e re­vis­tas “uni­la­te­rais” não dis­põem de ca­nais de co­mu­ni­ca­ção com seus lei­to­res? Não dis­po­ni­bi­li­zam en­de­re­ços, nem e-​​mails, na­dica de nada que per­mita a quem os lê emi­tir opi­nião so­bre o que leu? Nem as car­tas e e-​​mails di­re­ci­o­na­dos a es­tes veí­cu­los ja­ma­a­a­a­ais che­gam aos jor­na­lis­tas que escrevem/​falam ne­les? Que coisa, hein? ¬¬

E a maior prova do con­ceito “pouca con­versa, muita por­rada” está aqui: olha eu aqui, lendo o que você es­creve, con­cor­dando em parte, dis­cor­dando em tan­tas ou­tras, mas te de­di­cando al­guns mi­nu­tos do meu tempo para te res­pon­der. De novo: que coisa, hein?

Como pro­fis­si­o­nal de co­mu­ni­ca­ção, permita-​​me di­zer que nada mais “pen­sa­mento ul­tra­pas­sado do sé­culo XX” do que acre­di­tar numa su­posta im­par­ci­a­li­dade obri­ga­tó­ria a to­dos os veí­cu­los de co­mu­ni­ca­ção, tão pro­pa­gada nas ca­dei­ras das uni­ver­si­da­des por pro­fes­so­res esquerdistas.

Em tempo: se o “ele­fante” ti­vesse mesmo a ca­pa­ci­dade de im­por sua força frente ao mundo, o mundo não es­ta­ria do jeito que está, pode crer. ;)

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