Velha mídia, velha

quarta-feira, 22 de abril de 2009 09:41 3 comentários Jornalismo

Ano a ano, mí­dias tra­di­ci­o­nais – como jor­nais e re­vis­tas – têm per­dido lei­to­res e ver­bas pu­bli­ci­tá­rias para a in­ter­net e para mí­dias al­ter­na­ti­vas. Esse não é um fato re­cente, mas que vem a tona no­va­mente após a di­vul­ga­ção de um ba­lanço do pri­meiro tri­mes­tre de 2009 do grupo New York Ti­mes Co, que in­cluem os re­sul­ta­dos do Bos­ton Globe e ou­tros jornais.

Para se ter uma idéia do “bu­raco”, mesmo com uma re­du­ção de 9,5% dos cus­tos, a em­presa teve uma perda lí­quida de US$ 74,5 mi­lhões, que foi ala­van­cada, em boa parte, pela queda de 30% da re­ceita com pu­bli­ci­dade. Em com­pa­ra­ção ao mesmo pe­ríodo do ano an­te­rior, a perda de ren­di­men­tos to­tais foi de 18,6%, caindo de US$ 747,9 mi­lhões para US$ 609 milhões.

A queda foi ver­ti­gi­nosa, como mos­tram os nú­me­ros. Não há dú­vi­das de que o im­pacto da crise mun­dial re­fle­tiu no de­sem­pe­nho do grupo New York Ti­mes Co – as­sim como em to­dos os veí­cu­los de im­prensa. Po­rém, a forte mi­gra­ção de lei­to­res e anun­ci­an­tes para a in­ter­net e ou­tras mí­dias é real e, cer­ta­mente, con­tri­buiu com o re­sul­tado negativo.

Após a no­tí­cia do de­sem­pe­nho do grupo NYT, fica claro, mais uma vez, que para veí­cu­los im­pres­sos tra­di­ci­o­nais so­bre­vi­ve­rem à nova re­a­li­dade do mer­cado, eles de­ve­rão ado­tar no­vas abor­da­gens e re­for­mu­lar o con­teúdo, es­tu­dando no­vos for­ma­tos e al­ter­na­ti­vas para atrair os lei­to­res – con­su­mi­do­res. Caso con­trá­rio, se­guindo o “pa­drão”, cer­ta­mente as per­das se­rão agra­va­das ao longo dos pró­xi­mos anos e veí­cu­los for­tes, pro­va­vel­mente, irão ruir.

Por­tanto, a ve­lha mí­dia de­verá bus­car uma di­nâ­mica de mu­dan­ças, como a que ocorre, por exem­plo, na in­ter­net, onde os há­bi­tos dos usuá­rios di­tam as ten­dên­cias e as re­gras. Acre­dito que, ado­tando essa pos­tura, jor­nais e re­vis­tas tra­di­ci­o­nais po­de­rão es­ca­par de so­frer da­nos ainda maiores.

3 comentários em:

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É ine­vi­tá­vel a de­cli­na­ção. Eu que sem­pre me con­si­de­rei fa­ná­tico pelo ri­tual de ler jor­nal já não te­nho a mesma pos­tura. Se pa­rar­mos para pen­sar não está dis­tante a fase em que qual­quer ci­da­dão terá seu com­pu­ta­dor de mão, e isso im­plica di­re­ta­mente na es­co­lha de lei­tura. Até por­que você tem a pos­si­bi­li­dade de seg­men­tar o que quer ler en­tre ou­tros as­pec­tos ne­ga­ti­vos para o jor­nal impresso.

Paulo Milreu disse:

Quais os ca­mi­nhos pra­ti­cos p/​ essa queda de “lei­to­res” e re­cei­tas pu­bli­ci­ta­rias nos jor­nais im­pres­sos?
Ja ou vi fa­lar q um novo pro­jeto gra­fico trouxe gran­des re­sul­ta­dos p/​ va­rios jor­nais.
Mas eles tem ainda q mu­dar lin­gua­gem, mo­delo de re­la­ci­o­na­mento c/​ o pu­blico e c/​ anun­ci­an­tes, re­pen­sa­rem seu foco e sta­tus quo.
Te­rao ainda q ca­pa­ci­tar a equipe, do jor­na­lista ao ven­de­dor de es­paco pu­bli­ci­ta­rio.
Pre­ci­sam ainda en­ten­der de jor­na­lismo ci­da­dao e como aplica-​​lo cor­re­ta­mente.
Eles es­tao dis­pos­tos a que­brar tan­tos pa­ra­dig­mas?
Vao en­fren­tar esse de­sa­fio de frente? Tal­vez aque­les c/​ li­de­res visionarios.

Via Black­Berry

O que o Paulo se re­fere é isso:
http://​307​.to/0y
Da uma olhada no vídeo.

Sem dú­vida não é uma mu­dança ape­nas de ten­dên­cia fu­tu­ró­loga, os nú­me­ros e as pes­soas já es­tão mos­trando isso mas­si­va­mente, já está im­pac­tando no bolso dos “grandões”!

Mi­nha dú­vida é se este ce­ná­rio se aplica tam­bém as pes­soas de Bauru, em que ní­vel está a nossa so­ci­e­dade regional?

Fa­lando es­pe­ci­fi­ca­mente de jor­nal, te­mos o caso dos ci­ne­mas. O pú­blico que vai ao ci­nema está em sua mai­o­ria for­te­mente li­ga­dos na web e ra­ra­mente tem um jor­nal por perto para ver os ho­rá­rios.
A passo que em­pre­sas com es­pí­rito off-​​line, com a ve­lha fi­lo­so­fia nas cos­tas, en­gra­va­ta­dos e en­ges­sa­dos, ten­tam fa­zer web mas fa­zem mal, fa­zem com a bar­riga.
É com este pro­pó­sito e sen­ti­mento que nas­ceu o Pi­po­ca­Atô­mica.
http://​pi​po​ca​a​to​mica​.com​.br
Seg­men­tado so­mente para Bauru. Já co­nhece? :)

Acho que a web no in­te­rior ainda pre­cisa se de­sen­vol­ver, so­li­di­fi­car e ser ativa, tanto quanto será a mu­dança de pos­tura dos meio tra­di­ci­o­nais se qui­se­rem não mor­rer afo­ga­dos com essa onda de ze­ros e uns da mu­dança de com­por­ta­mento e con­sumo de mídia.

Ótimo post e um ótimo tema, pa­ra­béns. \o_

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