A palavra fotografia significa “escrever – desenhar – com a luz”. Essa técnica, que tem pouco mais de um século e meio de existência, tem sido responsável, desde que surgiu, por modificar profundamente a maneira como as pessoas tomam conhecimento e interagem com o mundo.
Antes da fotografia, havia uma grande dificuldade para que uma cena ou a imagem de uma pessoa fosse reproduzida no papel e “memorizada”, sendo necessário o trabalho de um artista que dominasse a técnica da pintura ou da ilustração. Já hoje, com a popularização dos equipamentos fotográficos – principalmente os digitais – e o apoio da informática, a fotografia tem sido um recurso constantemente presente em nossas vidas. As fotos das pessoas que amamos, de nossos amigos, das ocasiões importantes de nossa vida, de viagens, e até dos nossos animais de estimação, são marcantes e extremamente importantes para nos fazer reviver momentos felizes de nossas vidas. Além disso, é também através da fotografia que conhecemos muitos lugares e pessoas sem nunca termos tido contato com eles. Descobrimos e vivemos um mundo novo que nos é apresentado através do papel – ou de uma tela de computador.
Estamos em contato com fotografias praticamente o tempo todo. Nos jornais e revistas, as notícias precisam de imagens para ilustrar os fatos. As propagandas nos veículos impressos dependem das fotos para apresentar os produtos e despertar o interesse dos consumidores. Nas ruas, temos outdoors, fachadas, placas, cartazes e, geralmente, todos utilizam fotografias para chamar a nossa atenção, para nos apresentar alguma coisa. Em nossas casas, as fotografias estão em porta-retratos espalhados pelos quartos, na sala, na estante. No escritório, estão em cima da mesa ou na parede. Na Internet, estão nos portais de notícias, nos blogs, nos álbuns virtuais, nas redes sociais. E até mesmos nos vídeos, que nada mais são do que muitas fotografias sequenciais exibidas em curtos intervalos de tempo, dando-nos a sensação de movimento.
Apesar do grande volume de fotografias e da facilidade que encontramos para produzí-las, hoje são poucos os indivíduos que, verdadeiramente, são artistas na arte de “escrever com a luz”. É notável que a popularização da tecnologia das câmeras digitais foi a grande responsável pelo “boom” da produção fotográfica. Com a redução drástica dos custos, eliminando os filmes e a sua revelação, hoje qualquer acontecimento cotidiano, que antes era desprezado, acaba se transformando em tema para uma foto. Porém, apesar de todas as facilidades e dos recursos presentes nas câmeras, o papel do fotógrafo profissional ainda é – e sempre será – o grande diferencial para a produção de uma foto marcante.
A partir dessa premissa, é fácil diferenciar as fotos produzidas por uma pessoa comum – amador – das fotografias criadas por um bom profissional. E não são apenas as questões técnicas que fazem a diferença, mas, principalmente, o olhar distinto do fotógrafo, que consegue registrar a emoção de um momento e transmiti-la através de suas imagens.
Acima, imagens do fotógrafo Otavio Valle
Um exemplo é o trabalho de Otavio Valle. Em seu blog “Olho no celular”, o fotógrafo mostra que é possível produzir belas imagens – do ponto de vista artístico – utilizando-se os recursos técnicos escassos que são oferecidos pelas câmeras de aparelhos celulares.
A idéia do blog Olho no Celular é postar somente imagens que produzo em meu celular. A proposta é brincar com a linguagem através dos recursos possíveis da câmera do telefone.
Otavio Valle
Apesar de ser nítida a diferença de qualidade do trabalho de um fotógrafo amador e um profissional, uma questão problemática nos dias de hoje é que, com as facilidades oferecidas pelos equipamentos digitais, muitos amadores estão “ocupando” o espaço dos fotógrafos profissionais. Basta analisar um pouco o cenário, tanto nos estúdios de fotografia como nas empresas de comunicação – jornais, revistas, assessorias, agências. Em alguns jornais e revistas – pequenos ou não –, é comum ver jornalistas assumindo o papel de redator e, ao mesmo tempo, de fotógrafo. Sem falar nos departamentos comerciais, onde nota-se que muitos contatos comerciais carregam suas “camerinhas” digitais para fotografar anunciantes e produtos com a intenção de reduzir o tempo de produção – e, consequentemente, a qualidade final da peça de comunicação. Esse mesmo problema ocorre também em várias “agências” de publicidade, que adotam essa prática de fotografar sem produção adequada.
Se por um lado a tecnologia digital chegou para ajudar a popularização da fotografia, tornando essa técnica acessível para mais pessoas, por outro está colaborando para que o trabalho de qualidade de bons fotógrafos seja substituído pelo trabalho amador de pessoas que não estão preocupados com o resultado final, mas sim com a redução de custos e tempo. Dessa forma, o que se nota com frequência em peças de comunicação – elaborada por “profissionais” –, é a utilização de imagens de baixa qualidade, tanto nos aspectos técnicos como nos artísticos.
Contudo, apesar de todos os problemas que surgiram com a mudança de comportamento frente a tecnologia digital, independente de uma imagem ser resultado do trabalho de um profissional, estampando capas de jornais e revistas, ou ser produto de um amador, uma pessoa comum que registra os primeiros passos do filho ou a reunião de família no natal, a fotografia está – e sempre estará – presente em nossas vidas, tendo muito valor para a formação de nossa memória e de nossa personalidade.
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Bruno, muito boa sua análise e o painel que você apresenta aqui. Fico muito honrado em ser citado...