Comunicação a preço de banana
É engraçada – e muitas vezes suspeita – a reação de espanto de alguns empresários ou dirigentes ao se deparar com orçamentos de campanhas que envolvem comunicação de massa. Exceto no caso de ser a primeira experiência da pessoa com esse tipo de trabalho, é difícil acreditar que alguém que está envolvido com a divulgação não saiba que comunicação de massa necessita de investimentos – bons investimentos – e que uma campanha não fica barata – e, provavelmente, nunca ficará.
Quando os negócios da empresa não estão gerando o retorno esperado, uma das primeiras “idéias” que surgem na mente de quem comanda é fazer uma ação promocional e divulgar seus produtos e serviços com grande intensidade. Apesar disso, o fato que acaba sendo “estranho” é que, geralmente, não é feita uma associação entre a intensidade desejada para a divulgação e a intensidade de investimentos que será necessária.
Por mais que as pessoas não tenham noção dos valores que envolvem a contratação de espaços publicitários em veículos de comunicação e nos vários formatos de mídias, o “teatro” que fazem para demonstrar sua insatisfação com as cifras apresentadas, muitas vezes, acaba sendo exagerado. E o pior é que, muitas vezes, o empresário adota essa tática como parte de sua estratégia de negociação com os profissionais de comunicação, tentando comovê-los com o objetivo de obter descontos.
Se a intenção do anunciante é conquistar resultados rápidos através de veículos de comunicação de massa tradicionais, ele deverá saber de antemão que, numa matemática simples, quanto maior for o seu desejo de visibilidade, maiores serão as necessidades de investimentos em mídia.
Assim, não é sábio imaginar que jornais, emissoras de rádio e TV, empresas de mídia externa, portais de Internet e mídias tradicionais trabalham como instituições de caridade, visando apenas “o bem comum”, sem o objetivo de conquistar lucro. As empresas de comunicação, como qualquer empresa privada inserida no sistema capitalista, visam sempre o lucro, enfrentam forte concorrência e têm altos custos relacionados à produção, impostos, atualização tecnológica, mão-de-obra, etc. Por isso, sem dúvida, as empresas de comunicação que buscam sobreviver, trabalham com valores dentro da realidade que é determinada pelo mercado e não podem praticar valores exagerados para não serem engolidos pela concorrência.
Por outro lado, além das reclamações sobre os investimentos em mídia, os profissionais de comunicação também sofrem o mesmo problema quanto ao valor do seu trabalho. Assim, como é fácil para o contratante olhar para um valor isolado de uma inserção publicitária e dizer que ele está alto, também é fácil para ele ver os valores dos serviços que serão prestados pelo profissional ou agência de comunicação e reclamar. Porém, o que geralmente acontece, em ambos os casos, é que o contratante não faz uma análise levando em consideração os aspectos qualitativos e quantitativos para fundamentar suas reclamações.
É muito fácil dizer que uma inserção no “veículo A” tem um valor elevado, sem antes verificar todos os aspectos tangíveis e intangíveis que estão relacionados a ele, como a quantidade de consumidores que a mídia atinge, a sua distribuição geográfica, a credibilidade que o veículo transmite para os seus espectadores. Do mesmo modo, é fácil reclamar do valor do trabalho de um profissional de comunicação ou agência sem antes ter conhecimento total sobre suas qualificações técnicas e educacionais, suas competências e experiência profissional, seu aperfeiçoamento e atualização, seu compromisso com os clientes e o mercado.
O empresário ou dirigente que, porventura, imaginar que irá contratar um bom profissional de comunicação e realizar uma grande campanha de comunicação de massa a preço de banana, está totalmente equivocado. Nesse tipo de campanha, quem opta por fazer baixos investimentos e espera alcançar um bom resultado está, praticamente, jogando dinheiro fora. Erra quem pensa que “economizar” na contratação de profissionais e mídias “baratas” é um grande negócio. Quando não há disposição dos dirigentes ou recursos financeiros para fazer o investimento adequado para a comunicação de massa, a alternativa mais inteligente é não fazer um trabalho capenga e partir para outra estratégia.
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