“Otimização” do tempo

quarta-feira, 18 de Março de 2009 13:31 Etc, Reflexão

otimização
o.ti.mi.za.ção
sf (otimizar+ção) 1 Estat Processo pelo qual se determina o valor ótimo de uma grandeza. 2 por ext Ato ou efeito de otimizar, acepção 2.

Ho­je, mais uma vez, me pe­guei fa­zen­do o ho­rá­rio de al­mo­ço em me­nos de 10 mi­nu­tos. Co­mi pou­co, mas es­se fa­tor não jus­ti­fi­ca o tem­po es­cas­so que de­di­quei à re­fei­ção. Já ha­via fei­to o que es­ta­va agen­da­do – de­vi­da­men­te agen­da­do – pa­ra o pe­río­do da ma­nhã. Ain­da hou­ve tem­po pa­ra aten­der um cli­en­te que apa­re­ceu de sur­pre­sa e pre­ci­sa­va de uns bac­kups.

Nes­se mo­men­to, o meu úni­co com­pro­mis­so an­tes de ir ao tra­ba­lho é es­cre­ver um tex­to pa­ra o blog. São 12h07 e te­nho pra­ti­ca­men­te uma ho­ra pa­ra fi­na­li­zar es­se post. O te­ma que ha­via pen­sa­do em abor­dar ho­je não se­ria es­te. Po­rém, lo­go que me vi cor­ren­do, com pres­sa, sem uma ne­ces­si­da­de apa­ren­te, me per­gun­tei: Por­que es­tou fa­zen­do is­so?

Atu­al­men­te, es­tar apres­sa­do tem si­do uma ca­rac­te­rís­ti­ca co­mum nos in­di­ví­du­os, mes­mo quan­do eles não têm mo­ti­vos pa­ra a cor­re­ria. Es­ta­mos vi­ven­do di­as em que os pra­zos são ca­da vez mais cur­tos, até pa­ra as re­fei­ções. Nes­te corre-​corre fre­né­ti­co, as pes­so­as es­tão per­den­do a no­ção re­al do va­lor do tem­po, tra­ba­lhan­do em rit­mo exa­ge­ra­do, ex­ce­den­do um vo­lu­me acei­tá­vel de ho­ras tra­ba­lha­das por dia, exau­rin­do o tem­po que de­ve­ri­am de­di­car aos seus re­la­ci­o­na­men­tos afe­ti­vos com sua fa­mí­lia e seus ami­gos.

Vi­ven­do a vi­da num rit­mo alu­ci­nan­te, es­ta­mos fi­can­do fra­gi­li­za­dos e vul­ne­rá­veis aos pro­ble­mas emo­ci­o­nais e de saú­de. O es­tres­se e a de­pres­são são as do­en­ças da vez. No­va­men­te me per­gun­to: O que ga­nho le­van­do a vi­da des­sa for­ma?

Di­nhei­ro se­ria a res­pos­ta? Sim, po­de­ria ser uma res­pos­ta. E, ge­ral­men­te, é a res­pos­ta que as pes­so­as cos­tu­mam es­co­lher. To­dos que­rem ga­nhar mui­to di­nhei­ro. Mas, se­rá que ga­nhar di­nhei­ro é uma van­ta­gem tão gran­de as­sim? Eu, sin­ce­ra­men­te, te­nho acre­di­ta­do que não. On­tem mes­mo, es­ta­va con­ver­san­do com um ami­go e ele co­men­tou que dei­xa seu ce­lu­lar li­ga­do 24 ho­ras por dia, se­te di­as por se­ma­na, de­vi­do ao tra­ba­lho. Eu lhe fa­lei que não fa­ço mais is­so, que des­li­go meu ce­lu­lar aos do­min­gos – omi­ti que tam­bém des­li­go to­dos os di­as no pe­río­do da noi­te – e jus­ti­fi­quei afir­man­do que não fi­quei ri­co por dei­xar o apa­re­lho li­ga­do o tem­po to­do. Na mi­nha pro­fis­são, di­fe­ren­te do tra­ba­lho de um mé­di­co, nin­guém cor­rer o ris­co de mor­rer se eu não aten­der ao te­le­fo­ne. Por­tan­to, pa­ra mim, do­min­go é dia pa­ra des­can­so.

É fá­cil sa­ber quan­ti­fi­car o tem­po que de­di­ca­mos ao tra­ba­lho atra­vés de nos­sa re­mu­ne­ra­ção. É sim­ples pe­gar um va­lor em di­nhei­ro que con­se­gui­mos ga­nhar du­ran­te um mês e di­vi­dir pe­las ho­ras que fo­ram de­di­ca­das pa­ra is­so. Ago­ra, pen­se um pou­co, quan­to va­le o tem­po em que vo­cê es­tá com sua fa­mí­lia, com seus ami­gos? Quan­to va­le aque­les mo­men­tos em que vo­cê es­tá re­a­li­zan­do al­go que lhe dá pra­zer? Qual é o va­lor do bem-​estar pro­por­ci­o­na­do por um pas­seio, por um mo­men­to de con­ver­sa com uma pes­soa que te faz bem?

Oti­mi­zar o tem­po, com to­da cer­te­za do mun­do, não é co­mer com pres­sa pa­ra ir tra­ba­lhar mais, pa­ra “ga­nhar” mais di­nhei­ro. Não é tra­ba­lhar aos do­min­gos, fe­ri­a­dos ou em ho­rá­ri­os que vo­cê de­ve­ria apro­vei­tar pa­ra es­tar com as pes­so­as que vo­cê ama. Oti­mi­zar o tem­po não é olhar pa­ra o re­ló­gio e sentir-​se pres­si­o­na­do.

Com in­te­li­gên­cia é fá­cil pon­de­rar os prós e os con­tras de co­mo uti­li­za­mos o nos­so tem­po. Há o tem­po pa­ra tra­ba­lhar. Há o tem­po pa­ra es­que­cer o tra­ba­lho. Há o tem­po pa­ra vi­ver a vi­da. E ca­da mi­nu­to, de ca­da ho­ra, de ca­da dia da vi­da, tem um va­lor que, so­men­te ca­da um de nós, po­de de­ter­mi­nar e qua­li­fi­car – nun­ca quan­ti­fi­car.

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