Jabá bom é jabá na gaveta

segunda-feira, 16 de março de 2009 13:03 2 comentários Jornalismo, Propaganda

O jabá, como é de­no­mi­nado pe­los pro­fis­si­o­nais de co­mu­ni­ca­ção, é um re­curso ado­tado por anun­ci­an­tes para di­vul­gar in­for­ma­ções – nor­mal­mente ten­den­ci­o­sas – so­bre pro­du­tos ou ser­vi­ços, in­se­ri­das no es­paço des­ti­nado ao con­teúdo jor­na­lís­tico, mascarando-​​as como notícia.

A in­ten­ção é clara e ob­je­tiva: apro­vei­tar o mo­mento em que o es­pec­ta­dor ou lei­tor está con­cen­trado, bus­cando in­for­ma­ções no­ti­ci­o­sas, para trans­mi­tir men­sa­gens que, en­tre ou­tras ca­rac­te­rís­ti­cas, apre­sen­tam dis­cur­sos que va­lo­ri­zam ou de­fen­dem uma de­ter­mi­nada marca, es­ti­mu­lam o seu con­sumo, apon­tam suas “van­ta­gens”, in­di­cam pon­tos de venda.

Ape­sar de co­mum, o jabá é uma prá­tica pre­ju­di­cial, tanto para a im­prensa como para o mer­cado. Pri­meiro, por­que um pro­grama ou veí­culo de co­mu­ni­ca­ção sé­rio, com ca­rá­ter jor­na­lís­tico, que preza por sua cre­di­bi­li­dade, no mo­mento que pu­blica uma no­tí­cia so­bre um de­ter­mi­nado tipo de pro­duto ou ser­viço, nunca apre­senta ape­nas uma op­ção para seus es­pec­ta­do­res – pelo me­nos é o que se es­pera –, ainda mais fa­zendo dis­curso em de­fesa. Caso con­trá­rio, o veí­culo que pu­blica o jabá está apro­vei­tando a “dis­tra­ção” dos es­pec­ta­do­res para ex­por no­tí­cias que, na ver­dade, não são no­tí­cias e que tem o ob­je­tivo de per­su­a­dir, e não de in­for­mar. Por ou­tro lado, a marca ou em­presa que se apre­senta utilizando-​​se desse ar­ti­fí­cio, acaba des­res­pei­tando os con­su­mi­do­res e suas pre­fe­rên­cias, já que o seu ob­je­tivo é ten­tar “empurrar” – goela abaixo – seus pro­du­tos ou ser­vi­ços atra­vés de uma es­tra­té­gia de for­ma­ção de uma opi­nião co­le­tiva, apro­vei­tando a “cre­di­bi­li­dade” de al­guns veí­cu­los de co­mu­ni­ca­ção para de­fen­der seus interesses.

Para re­su­mir em pou­cas pa­la­vras, o jabá, da forma como é uti­li­zado por mui­tos anun­ci­an­tes, atra­vés de veí­cu­los de co­mu­ni­ca­ção mer­ce­ná­rios, é um re­curso que fere os con­su­mi­do­res e seus di­rei­tos, pre­ju­dica o mer­cado e fa­vo­rece a con­cor­rên­cia desleal.

2 comentários em:

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Hummmm… será?!
Pre­ciso pen­sar mas, acho que de­pende o caso.

Pense sim. Acre­dito que você po­derá che­gar na mesma con­clu­são que eu.

Eu penso que se um veí­culo de co­mu­ni­ca­ção é sé­rio, tem fins jor­na­lís­ti­cos e so­bre­vive por ser con­si­de­rado como um ser­viço de uti­li­dade pú­blica, logo não há mo­ti­vos éti­cos para ele atuar em de­fesa de in­di­ví­duos ou gru­pos, mas sim em de­fesa do coletivo.

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