Muitas pessoas têm o defeito de acreditar que o seu umbigo é o centro do universo. Com poucas exceções, o indivíduo que adota essa postura, frequentemente, age de forma preconceituosa em relação a tudo o que não segue a sua lógica de pensamento, não se enquadra nos seus valores – pessoais, profissionais, morais –, não ocorre no seu cotidiano, ou, pior ainda, não faz parte do seu repertório e experiência. Assim, esses fatores, na maioria dos casos, limitam esse indivíduo a elaborar um julgamento inteligente, uma vez que, normalmente, não dispõe de conhecimentos e recursos para fazer avaliações coerentes e alcançar conclusões sensatas.
Pode até parecer um exagero, mas basta observar um pouco as pessoas – e, principalmente, nós mesmos – para notar que no dia-a-dia ocorrem inúmeras situações em que nos deparamos com gente – ou somos o próprio sujeito – que age “como se tivesse o rei na barriga” ou acha que a verdade suprema do mundo está toda dentro de sua cabeça. O que esse indivíduo acredita – e defende – é “lei”, está certo. O que as outras pessoas pensam e que contradizem a sua opinião é “crime”, está errado.
Nas relações entre as pessoas, sempre ocorrerão conflitos em diversas questões. Quando nos encontramos no meio de um conflito, normalmente temos duas opções. A primeira opção, penosa, é enfrentar o ponto-de-vista contrário, expondo argumentos para defender a nossa opinião e para contrariar a opinião oposta. Porém, não espere que o “adversário” aceite com facilidade os seus argumentos. Ao final, o que geralmente acontece após o enfrentamento de idéias, é criar mágoas entre as pessoas. A segunda opção, não menos penosa, é nos comportamos como “alface”. Para evitar dores de cabeça – e perda de tempo – com discussões que, normalmente, não geram benefícios, podemos optar por “quebrar” o diálogo com o indivíduo que acredita ser o “dono da razão” e deixar que ele argumente com intensidade para satisfazer o seu próprio ego. Ao final da conversa – unilateral –, cada um preservará o seu ponto-de-vista e os dois poderão manter um bom relacionamento.
Como lição, essas situações podem ensinar – para aqueles que querem aprender – que é importante respeitar as diferenças. Aqueles que estão aprendendo a ser tolerantes e a respeitar o fato de que cada pessoa tem o direito de pensar e de agir da forma que for mais conveniente com a sua realidade, a sua vida e aos seus valores, estão dando um grande passo para se tornar indivíduos mais flexíveis e inteligentes.
É preciso entender que as nossas experiências pessoais e profissionais, nossas amizades, costumes, relações familiares, nossa educação, cultura, religião, e tudo o que faz parte do nosso cotidiano, são agregados ao nosso repertório e contribuem para formar a nossa personalidade. Portanto, apesar da redundância, cada indivíduo é único e incomparável, tem a sua forma de pensar em relação a tudo o que é exposto de novo em sua vida, e tem a sua opinião própria e os seus valores.
Assim, como diz o refrão de uma música que até se tornou gíria popular – e que eu sinceramente não gosto, mas devo tolerar e aceitar que as pessoas ouçam –, cada um no seu quadrado.
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Bruno Gonçalves, profissional de comunicação, especialista em comunicação organizacional, propaganda e design gráfico.



