Como é de costume, o Carnaval é a data extra-oficial para o início “oficial” do ano brasileiro. É com muita “alegria” que o povo – e consumidor – começa todo ano novo com muitos carnês de contas divididas em incontáveis prestações. Apesar de toda essa crise, esse ano não poderia ser diferente, mesmo com toda aquela “conversa mole pra boi dormir” de que a crise chegaria “fraquinha” aqui no Brasil e não afetaria a nossa economia. Sinceramente, entre os bons velhinhos eu ainda prefiro acreditar no Papai Noël. E, tenho certeza de que não sou único.
Mesmo com o 13º salário e com rendas extras que muitos trabalhadores conquistam com o aquecimento do comércio com a chegada do Natal – que no ano passado começou em outubro –, é inegável que boa parte desse dinheiro volta para o próprio comércio. E, normalmente, volta pulverizando em forma de carnês e faturas de cartões de crédito.
A situação, por um lado, é boa para o comércio e para os comerciantes. Além do grande volume de vendas no final do ano, o começo do ano garante, de certa forma, o recebimento das prestações. Por outro lado, como boa parte dos consumidores tem dinheiro apenas para pagar as prestações e não para fazer novas compras, as vendas caem. No efeito dominó, o fluxo de caixa fica comprometido já que o dinheiro que está entrando com as prestações dos clientes é destinado, em boa parte, para o pagamento de fornecedores e funcionários. Assim, nem é necessário fazer uma análise econômica e mercadológica mais profunda e nem é preciso ser muito inteligente para entender porque, todo ano, nós brasileiros e consumidores, começamos com dores de cabeça.
Fora essa constatação óbvia, para a maioria das pessoas, janeiro e fevereiro é tempo de pagar contas. Não apenas os carnês dos presentes de final de ano, mas também as matrículas escolares, IPVA, renovação de contratos e mais algumas que prefiro não enumerar aqui para que você possa continuar lendo esse texto sem pensar na hipótese de suicídio.
O mês das “vacas magras” passou e quem chorou, chorou. Não é rima de enredo de escola de samba, mas até poderia ser. Fevereiro chegou e com ele chega o momento para a curva econômica começar a ascender novamente. Isso significa que aquele dinheiro que em janeiro foi destinado a pagar contas, agora poderá ser utilizado para novos consumos além dos essenciais e, vejam que ironia, também para fazer novas contas – leiam carnês. Porém, sabemos que muitos brasileiros continuarão destinando o seu dinheiro para o pagamento de contas contraídas no ano passado.
Apesar dos pontos negativos, com toda essa situação que foi criada ao longo dos anos, o Carnaval acabou se tornando um marco simbólico para o início anual do aquecimento econômico do país. Basta perguntar para os comerciantes – que são o elo entre os produtos e os consumidores finais – para que respondam que o ano, realmente, começa após o Carnaval. Esse jargão popular acaba sendo a mais pura verdade. Dessa forma, devemos comemorar o Carnaval e esperar dias melhores após as festanças.
Como diz o povão, agora vai!
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