Durante uma reunião numa agência que trabalhei, tive a “infelicidade” de pronunciar a barbaridade “matar barata a tijolada” para exemplificar uma determinada situação. Disse isso sem antes fazer uma avaliação racional sobre o real significado. E agora sempre me lembro desta frase.
Estávamos debatendo sobre uma campanha promocional que iríamos realizar para um cliente. Como todo anunciante, seus objetivos eram simples e modestos: causar grande impacto no mercado, obter excelentes resultados de vendas, conquistar a preferência dos consumidores, assumir a liderança no segmento e, óbvio, alcançar lucros exorbitantes.
É lógico – e permitido – que sonhar não custa nada. Porém, para tentar concretizar esses objetivos, ou melhor, esses sonhos, é preciso empenhar grandes esforços que implicam em altos investimentos em comunicação. É preciso, também, ter a consciência de que, mesmo assim, os objetivos poderão não ser alcançados nunca, afinal de contas, os concorrentes não ficarão observando as ações de braços cruzados, ainda mais se eles ostentam uma posição de mercado privilegiada. Além disso, sem dúvidas, realizar uma única campanha promocional não traria todos os resultados “esperados” pelo cliente – em muitos casos sequer alcançaria “os excelentes resultados de vendas”.

Ações isoladas de comunicação não fazem mágica, isso é tão certo como um mais um são dois. É preciso que os anunciantes entendam e aprendam essa lição. No papel de professor, o ideal seria que todas as agências de publicidade, os publicitários e os profissionais de comunicação das diversas áreas fossem honestos com seus clientes e passassem essa orientação. O cliente deve estar ciente que ele precisa determinar objetivos concretos e não sonhos surreais. Os profissionais de comunicação devem ficar sempre atentos com seus clientes e não podem deixá-los “viajando” ou, pior ainda, assumir o papel de vilão, mercenário, e alimentar esperanças por milagres.
Dimensionar os esforços em qualquer ação ou campanha de comunicação é fundamental. É importante não acreditar que a realidade será transformada em curto prazo com algum plano mirabolante. As pessoas têm seus hábitos de consumo e mudá-los não é simples. Por mais que a marca esteja em evidência, tocar a sensibilidade dos consumidores ao ponto de motivá-los a experimentar ou mudar suas preferências é um trabalho que exige dedicação, tempo e tomada de decisões certas, nos momentos certos.
Erram aqueles que imaginam que alcançarão ótimos resultados fazendo altos investimentos em comunicação e propaganda, “atirando” para todos os lados com “chumbo-grosso”. A força será excessiva para alcançar os objetivos. O ideal é pensar em todas as variáveis que estarão envolvidas e planejar com inteligência as ações que serão ser realizadas, seu tempo, sua intensidade, sua mensagem, fazendo avaliações e controles contínuos dos impactos e dos resultados alcançados. Caso contrário, como já disse, será como matar barata a tijolada, empregando o excesso de força para conquistar um resultado que poderia ser igual, ou melhor, caso tivesse sido feito um trabalho sério de planejamento estratégico.
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1 comentário em:
Matar barata a tijolada
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Efeito ui!
Pé de frango
Bruno Gonçalves, profissional de comunicação, especialista em comunicação organizacional, propaganda e design gráfico.




Com toda certeza. É preciso planejamento e investimento focalizado. Pensar no público que se deseja alcançar e trazer a eles o que querem, da melhor forma possível.
E a agência e o cliente devem ter plena consciência que é melhor investir um valor mensal baixo (mas aparecer sempre fortalecendo sua marca) do que fazer ações isoladas pagando valores monstruosos (isso com certeza só fará bem para o veículo de comunicação), e em quase todas as ocasiões não trazem o resultado esperado. É preciso planejar!