Para que ganhar dinheiro?

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009 12:20
Cotidiano, Opinião, Para pensar

Você co­nhece a frase “quem tra­ba­lha não tem tempo para ga­nhar di­nheiro”? Pois é, pro­va­vel­mente você já ou­viu muita gente re­pe­tindo essa frase, gente que, nor­mal­mente, tra­ba­lha muito e ga­nha pouco di­nheiro ou que adora re­cla­mar da vida, da falta de opor­tu­ni­da­des e de sorte.

O di­fí­cil é ou­vir essa frase ser pro­nun­ci­ada por al­guém que está numa po­si­ção de des­ta­que, que tem su­cesso fi­nan­ceiro e pro­fis­si­o­nal. Pelo me­nos eu não me lem­bro de ter tido essa experiência.

Sei que mui­tas ve­zes nos de­sa­ni­ma­mos com o quanto tra­ba­lha­mos e com o que re­ce­be­mos como “gra­ti­fi­ca­ção”. Po­rém, acre­dito que o su­cesso está atre­lado a tra­ba­lho. Ou seja, se você quer bri­lhar é pre­ciso dis­po­si­ção para tra­ba­lhar bas­tante, da me­lhor forma pos­sí­vel, bus­cando sem­pre apri­mo­rar suas qua­li­da­des e au­men­tar seus conhecimentos.

Po­rém, é ne­ces­sá­rio ter cons­ci­ên­cia de que nada é con­quis­tado de forma fá­cil e rá­pida. É pre­ciso con­tro­lar a an­si­e­dade de que­rer cres­cer pro­fis­si­o­nal­mente atre­lando o su­cesso ao vo­lume de tra­ba­lho. De certa forma, tra­ba­lhar muito é uma si­tu­a­ção nor­mal hoje em dia. Agora, não po­de­mos ser com­pul­si­vos por tra­ba­lho. E exem­pli­fico os meus dias de on­tem (4) e hoje (5). Tra­ba­lhei 26 ho­ras se­gui­das, pra­ti­ca­mente sem pa­rar. Co­me­cei às 7h da quarta e fui pa­rar as 9h15 da quinta.

Agora fico pen­sando: o di­nheiro que vou ga­nhar com os tra­ba­lhos que fiz vai mu­dar a mi­nha vida? A res­posta é não. Só vai aju­dar à pa­gar umas con­tas. Agora, por ou­tro lado, mi­nha na­mo­rada está muito cha­te­ada co­migo. Está triste por­que es­tou tra­ba­lhando muito e não es­tou dando aten­ção para ela. Tam­bém há o can­saço que, ape­sar de eu não es­tar sen­tindo muito agora, cer­ta­mente vai re­fle­tir no fi­nal de se­mana, dias em que de­ve­ria apro­vei­tar para pas­sear, cur­tir. Fa­lando em final-de-semana, o último eu tam­bém tra­ba­lhei, o dia todo. E isso re­flete no nosso hu­mor – en­tenda mal-humor. Fora o con­tato com a fa­mí­lia, os ami­gos, os pa­ren­tes, que cada vez se torna mais es­casso e nós, ao in­vés de con­ver­sar­mos so­bre as­sun­tos in­te­res­san­tes, aca­ba­mos fa­lando so­bre mais trabalho.

É di­fí­cil en­ten­der tudo isso. Mas agora es­tou re­fle­tindo e me con­ven­cendo de que não es­tou ga­nhando nada além de um pouco de di­nheiro que não irá mu­dar a mi­nha vida. E vou além. Por que eu quero tra­ba­lhar tanto para ga­nhar di­nheiro se posso ser fe­liz sem ele? Posso cur­tir mais tempo com as pes­soas que gosto e que amo. Posso fa­zer o que me faz feliz.

Para en­cer­rar mi­nha re­fle­xão, como co­me­cei com uma frase, vou en­cer­rar com ou­tra que, cer­ta­mente, trans­mite um pouco do que es­tou pen­sando e sen­tindo nesse momento:

O dinheiro não traz felicidade.
Provérbio popular

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3 comentários em:

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Saulo Adriano disse:

Fra­ses de efeito ser­vem, ape­nas, para cau­sar efeito. Nada mais! Penso que nada é com­par­ti­men­tado. A exis­tên­cia de qual­quer ser é um con­tí­nuo, que vai do seu nas­ci­mento ao seu fim ine­vi­tá­vel. E no tempo fi­nito do exis­tir da­quele ser não há rup­tu­ras, hi­a­tos, in­ter­va­los, di­vi­só­rias... Tudo está in­ter­li­gado e tudo cons­pira para re­a­li­zar a po­tên­cia do ser no seu ins­tante pre­sente. O pas­sado e o fu­turo são ina­tin­gí­veis, do ponto de vista prá­tico. São ape­nas ins­tan­tes ide­a­li­zá­veis, no pros­pecto do fu­turo e no re­tros­pecto do pas­sado.
Quero ex­por com isso que há tempo para cada coisa. Cabe a cada um es­co­lher o que fa­zer de me­lhor com seu ins­tante pre­sente. Seja tra­ba­lho, la­zer, pra­zer, es­forço, aper­fei­ço­a­mento ou des­canso, é tudo uma ques­tão de ele­ger pri­o­ri­dade para in­ves­tir o ins­tante pre­sente do qual dis­po­mos.
As­sim, não se pode di­zer que se fez a es­co­lha er­rada so­bre como con­su­mir o tempo dis­po­ní­vel. Aquela foi, na ver­dade, a es­co­lha que ava­li­a­mos ser a me­lhor para aquele ins­tante. Neste exato mo­mento, por exem­plo, eu po­de­ria es­tar fa­zendo qual­quer ou­tra coisa. Mas es­co­lhi re­gis­trar aqui, no blog do amigo Bru­não, o que penso so­bre a apro­vei­ta­bi­li­dade do tempo e o re­torno que cada in­ves­ti­mento traz. Posso di­zer que fico fe­liz em ter tro­cado to­das as ou­tras pos­si­bi­li­da­des de usar meu tempo por esta, a de dei­xar mi­nha men­sa­gem. Sem es­que­cer que o mo­mento de re­torno do in­ves­ti­mento feito é, tam­bém ele, um ins­tante ínfimo, que pra­ti­ca­mente nada muda no con­junto de uma vida.
Amigo Bru­não, o tempo in­ves­tido no tra­ba­lho já teve seu va­lor pago com a re­mu­ne­ra­ção pela sua arte. Resta agora, ve­lho amigo, de­ci­dir o que fa­zer com o tempo que ainda lhe resta. Sin­ce­ra­mente, es­pero que você con­siga fa­zer sem­pre o me­lhor uso do seu ins­tante pre­sente.
Abraço. Saulo Adriano

Márcio disse:

rs... ta vendo!

qdo vc me disse que não es­tava mais to­mando cer­veja por que­rer ter uma vida me­lhor eu fui contra...rs...
De que adi­anta não to­mar cer­veja mas se dro­gar de tanto tra­ba­lho?
Volte a to­mar pelo me­nos uma vez por se­mana uma cer­ve­ji­nha... não per­sista no erro...rs

Bru­não,
Tô lendo um li­vro muito ba­cana - não é jaba, heim?! - do Ma­rio Ser­gio Cor­tella in­ti­tu­lado “Qual é a tua obra?”. Não sei se você já leu. Fala so­bre es­sas in­qui­e­ta­ções do dia-a-dia e so­bre a sa­tis­fa­ção que bus­ca­mos no tra­ba­lho. Re­co­mendo! Se você ler... dá tua opnião.

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