Na relação entre o profissional de comunicação e seu cliente, não é raro precisar enfrentar uma situação – em alguns casos incomoda – em que o cliente busca impor as suas preferências pessoais ao tom da comunicação da marca – independente de ser institucional ou não – e querer ditar o conteúdo que será produzido para as peças.
Essa postura que o cliente assume não pode ser criticada ou encarada com maus olhos. Não será positivo para o prestador de serviço entrar em “queda-de-braço” com seu cliente para tentar lhe apresentar quais são as melhores alternativas para desenvolver o trabalho. Ainda pior do que isso, pela força do ego “ferido” – o que é muito comum entre publicitários e designer, por exemplo –, seria mais incoerente perder o controle da situação buscando mostrar para o cliente quem é o “dono da razão” e quem tem mais conhecimento sobre o tema comunicação.
O que o profissional de comunicação precisa entender é que, por vários motivos, o cliente acaba tomando esse tipo de atitude. Entre os motivos, podemos citar, por exemplo, experiências problemáticas que ele possa ter passado com outros profissionais que realizaram trabalhos de má qualidade ou que não atenderam as suas expectativas; ou o costume de trabalhar diretamente com empresas produtoras, onde geralmente o trabalho de planejamento é suprimido e passa direto para a produção de peças de comunicação, as quais, normalmente, não contextualizam as necessidades reais do cliente, do público-alvo, do mercado, da economia; ou pelo fato de o cliente ter muita experiência no seu ramo de atividade, com anos de atuação, fazendo com que ele acredite conhecer tudo sobre o setor, sabendo quais são as informações que mais relevantes para o público-alvo e quais são as melhores formas para comunicar suas qualidades.
Porém, sabemos também que há pessoas que não têm flexibilidade para aceitar orientações de outras pessoas, pois em seu íntimo acreditam que sabem muito sobre tudo e que o seu conhecimento já é suficiente para o desenvolvimento de qualquer projeto, descartando assim as orientações e as propostas que lhes são apresentadas.
Assim, caberá ao profissional de comunicação ter bom-senso para analisar as atitudes que o cliente lhe apresenta e distinguir se o seu problema é de insegurança em relação ao trabalho que será realizado ou, pelo contrário, se é de excesso de segurança e egocentrismo, acreditando que tudo deve ser feito seguindo cegamente as suas orientações.
Como dica pessoal para evitar transtornos e facilitar o diálogo com o cliente nesses momentos, costumo adotar a tática de fazer uma analogia para exemplificar o meu trabalho de profissional de comunicação. Para isso, peço para que ele imagine sua relação com um médico especialista no momento em que está doente e vai ao consultório buscar ajuda. Assim, posso apresentar para o cliente que da mesma forma que ele busca o auxílio do profissional de saúde para sanar sua doença, ele deve confiar no profissional de comunicação – desde seja realmente profissional – para resolver os problemas de comunicação de sua empresa.
Como a pessoa doente tem problemas e não sabe o que deve fazer para resolvê-los, o caminho é buscar um médico para que faça uma análise de sua situação e lhe diga o que deverá ser feito para combater a doença e ser curado, seja através de remédios, mudanças de hábitos alimentares ou de sua rotina diária, ou em casos drásticos, de procedimentos cirúrgicos.
Pelo fato do médico ser capacitado para exercer o seu trabalho, uma vez que buscou uma formação educacional e prática para isso, o paciente, que está com a doença e busca a cura, acata o que lhe é recomendado e segue todas as recomendações que o médico lhe determina.
Porém, um problema comum aqui no Brasil, é que muitas vezes quando o problema de saúde é aparentemente “pequeno”, as pessoas recorrerem à automedicação. Mas todos nós sabemos que esse não é o procedimento correto. Não são poucos os casos “simples” que acabam se agravando e se transformando em casos complexos. Pior do que isso, é que muitas vezes acabam em tragédia, com o óbito do paciente.
Portanto, para que seja desenvolvido um bom trabalho de comunicação para uma empresa, o procedimento ideal é que o cliente escolha bons profissionais de comunicação para lhe orientar e para realizar o trabalho de maneira correta, organizada, planejada e criativa, buscando resultados concretos que atendam as suas necessidades, assim como as pessoas doentes escolhem bons médicos para sanar seus problemas de saúde.
É preciso que as pessoas entendam que, em ambos os casos, não se deve apostar na “automedicação” como alternativa para resolver os problemas.
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Automedicação
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Bruno Gonçalves, profissional de comunicação, especialista em comunicação organizacional, propaganda e design gráfico.




Relação ruim entre cliente e prestador de serviço é igual a ex namorada…kkkkkkkkkkkk…