Automedicação

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009 12:47
Comunicação, Design Gráfico, Dicas, Marketing, Propaganda

Na re­la­ção en­tre o pro­fis­si­o­nal de co­mu­ni­ca­ção e seu cli­ente, não é raro pre­ci­sar en­fren­tar uma si­tu­a­ção – em al­guns ca­sos in­co­moda – em que o cli­ente busca im­por as suas pre­fe­rên­cias pes­so­ais ao tom da co­mu­ni­ca­ção da marca – in­de­pen­dente de ser ins­ti­tu­ci­o­nal ou não – e que­rer di­tar o con­teúdo que será pro­du­zido para as peças.

Essa pos­tura que o cli­ente as­sume não pode ser cri­ti­cada ou en­ca­rada com maus olhos. Não será po­si­tivo para o pres­ta­dor de ser­viço en­trar em “queda-de-braço” com seu cli­ente para ten­tar lhe apre­sen­tar quais são as me­lho­res al­ter­na­ti­vas para de­sen­vol­ver o tra­ba­lho. Ainda pior do que isso, pela força do ego “ferido” – o que é muito co­mum en­tre pu­bli­ci­tá­rios e de­sig­ner, por exem­plo –, se­ria mais in­co­e­rente per­der o con­trole da si­tu­a­ção bus­cando mos­trar para o cli­ente quem é o “dono da ra­zão” e quem tem mais co­nhe­ci­mento so­bre o tema comunicação.

O que o pro­fis­si­o­nal de co­mu­ni­ca­ção pre­cisa en­ten­der é que, por vá­rios mo­ti­vos, o cli­ente acaba to­mando esse tipo de ati­tude. En­tre os mo­ti­vos, po­de­mos ci­tar, por exem­plo, ex­pe­ri­ên­cias pro­ble­má­ti­cas que ele possa ter pas­sado com ou­tros pro­fis­si­o­nais que re­a­li­za­ram tra­ba­lhos de má qua­li­dade ou que não aten­de­ram as suas ex­pec­ta­ti­vas; ou o cos­tume de tra­ba­lhar di­re­ta­mente com em­pre­sas pro­du­to­ras, onde ge­ral­mente o tra­ba­lho de pla­ne­ja­mento é su­pri­mido e passa di­reto para a pro­du­ção de pe­ças de co­mu­ni­ca­ção, as quais, nor­mal­mente, não con­tex­tu­a­li­zam as ne­ces­si­da­des re­ais do cli­ente, do público-alvo, do mer­cado, da eco­no­mia; ou pelo fato de o cli­ente ter muita ex­pe­ri­ên­cia no seu ramo de ati­vi­dade, com anos de atu­a­ção, fa­zendo com que ele acre­dite co­nhe­cer tudo so­bre o se­tor, sa­bendo quais são as in­for­ma­ções que mais re­le­van­tes para o público-alvo e quais são as me­lho­res for­mas para co­mu­ni­car suas qualidades.

Po­rém, sa­be­mos tam­bém que há pes­soas que não têm fle­xi­bi­li­dade para acei­tar ori­en­ta­ções de ou­tras pes­soas, pois em seu íntimo acre­di­tam que sa­bem muito so­bre tudo e que o seu co­nhe­ci­mento já é su­fi­ci­ente para o de­sen­vol­vi­mento de qual­quer pro­jeto, des­car­tando as­sim as ori­en­ta­ções e as pro­pos­tas que lhes são apresentadas.

As­sim, ca­berá ao pro­fis­si­o­nal de co­mu­ni­ca­ção ter bom-senso para ana­li­sar as ati­tu­des que o cli­ente lhe apre­senta e dis­tin­guir se o seu pro­blema é de in­se­gu­rança em re­la­ção ao tra­ba­lho que será re­a­li­zado ou, pelo con­trá­rio, se é de ex­cesso de se­gu­rança e ego­cen­trismo, acre­di­tando que tudo deve ser feito se­guindo ce­ga­mente as suas orientações.

Como dica pes­soal para evi­tar trans­tor­nos e fa­ci­li­tar o diá­logo com o cli­ente nes­ses mo­men­tos, cos­tumo ado­tar a tá­tica de fa­zer uma ana­lo­gia para exem­pli­fi­car o meu tra­ba­lho de pro­fis­si­o­nal de co­mu­ni­ca­ção. Para isso, peço para que ele ima­gine sua re­la­ção com um mé­dico es­pe­ci­a­lista no mo­mento em que está do­ente e vai ao con­sul­tó­rio bus­car ajuda. As­sim, posso apre­sen­tar para o cli­ente que da mesma forma que ele busca o au­xí­lio do pro­fis­si­o­nal de saúde para sa­nar sua do­ença, ele deve con­fiar no pro­fis­si­o­nal de co­mu­ni­ca­ção – desde seja re­al­mente pro­fis­si­o­nal – para re­sol­ver os pro­ble­mas de co­mu­ni­ca­ção de sua empresa.

Como a pes­soa do­ente tem pro­ble­mas e não sabe o que deve fa­zer para resolvê-los, o ca­mi­nho é bus­car um mé­dico para que faça uma aná­lise de sua si­tu­a­ção e lhe diga o que de­verá ser feito para com­ba­ter a do­ença e ser cu­rado, seja atra­vés de re­mé­dios, mu­dan­ças de há­bi­tos ali­men­ta­res ou de sua ro­tina diá­ria, ou em ca­sos drás­ti­cos, de pro­ce­di­men­tos cirúrgicos.

Pelo fato do mé­dico ser ca­pa­ci­tado para exer­cer o seu tra­ba­lho, uma vez que bus­cou uma for­ma­ção edu­ca­ci­o­nal e prá­tica para isso, o pa­ci­ente, que está com a do­ença e busca a cura, acata o que lhe é re­co­men­dado e se­gue to­das as re­co­men­da­ções que o mé­dico lhe determina.

Po­rém, um pro­blema co­mum aqui no Bra­sil, é que mui­tas ve­zes quando o pro­blema de saúde é apa­ren­te­mente “pe­queno”, as pes­soas re­cor­re­rem à au­to­me­di­ca­ção. Mas to­dos nós sa­be­mos que esse não é o pro­ce­di­mento cor­reto. Não são pou­cos os ca­sos “sim­ples” que aca­bam se agra­vando e se trans­for­mando em ca­sos com­ple­xos. Pior do que isso, é que mui­tas ve­zes aca­bam em tra­gé­dia, com o óbito do paciente.

Por­tanto, para que seja de­sen­vol­vido um bom tra­ba­lho de co­mu­ni­ca­ção para uma em­presa, o pro­ce­di­mento ideal é que o cli­ente es­co­lha bons pro­fis­si­o­nais de co­mu­ni­ca­ção para lhe ori­en­tar e para re­a­li­zar o tra­ba­lho de ma­neira cor­reta, or­ga­ni­zada, pla­ne­jada e cri­a­tiva, bus­cando re­sul­ta­dos con­cre­tos que aten­dam as suas ne­ces­si­da­des, as­sim como as pes­soas do­en­tes es­co­lhem bons mé­di­cos para sa­nar seus pro­ble­mas de saúde.

É pre­ciso que as pes­soas en­ten­dam que, em am­bos os ca­sos, não se deve apos­tar na “au­to­me­di­ca­ção” como al­ter­na­tiva para re­sol­ver os problemas.

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1 comentário em:

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Re­la­ção ruim en­tre cli­ente e pres­ta­dor de ser­viço é igual a ex namorada...kkkkkkkkkkkk...

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