Diariamente tomamos conhecimento de uma realidade que, normalmente, é dura, triste e leva muitas pessoas a criar um sentimento de pessimismo em relação ao futuro. A quantidade de notícias negativas relacionadas à violência, corrupção, miséria, conflitos, entre outros problemas sociais, é tão grande que, geralmente, detém boa parte do conteúdo dos veículos de comunicação de massa, como os jornais, as revistas, os noticiários dos canais de TV e das emissoras de rádios e, como não poderia deixar de ser, as páginas dos portais de notícias na internet.
Essa postura editorial de valorizar as notícias que chocam as pessoas é realizada por uma grande parcela da imprensa – não apenas a nacional. Os objetivos principais são, em boa parte dos casos, atrair ao máximo a atenção dos leitores, comovendo-os e, num segundo momento, criar um elo em relação à problemática, estimulando, de alguma forma, o consumo do produto, seja com a aquisição de um exemplar, seja com a audiência.
Sabendo que essa tática visa estimular as vendas, podemos considerar que, em muitos casos, os critérios utilizados para definir os conteúdos dos produtos editoriais podem nos apresentar uma realidade desvirtuada.
Todos estão cientes da gravidade dos problemas gerados pela violência, pelo crime organizado, pelas desigualdades sociais, pela corrupção, entre outros temas, e que a denúncia e a cobertura jornalística contribuem para que as mudanças aconteçam e, portanto, jamais deverão ser suprimidas. Porém, é necessário que os responsáveis pelos veículos de comunicação tenham consciência para fazer avaliações justas do cenário ao qual estão inseridos, dando a ênfase necessária e compatível com a “realidade real”, abrindo mais espaços para assuntos positivos que geram otimismo na população, buscando atingir um ponto de equilíbrio contrapondo todo o conteúdo negativo que é exposto de forma exagerada.
Assim, com responsabilidade sobre ao conteúdo que é apresentado aos leitores e coerência em relação à realidade, os veículos de comunicação de massa garantirão sua credibilidade e estarão contribuindo para a formação de cidadãos melhores informados e de um mundo mais sensato.
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2 comentários em:
Realidade desvirtuada
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Propaganda profissional
Na medida certa
“Kill Lindemberg”, o jogo
Jabá bom é jabá na gaveta
Bruno Gonçalves, profissional de comunicação, especialista em comunicação organizacional, propaganda e design gráfico.




Bruno,
Eu espero por essa responsabilidade que você deixo clara neste post.
Por outro lado, quero dividir um pensamento…
Ainda não tive a oportunidade de visitar outros países e experimentar sentar à frente de uma TV e quem sabe comparar a programação aberta de lá com a programação aberta daqui, por exemplo.
Então, me pergunto se a “problemática” dos nossos meios de divulgação é um sintoma, no geral, contenporâneo - obviamente, dado o perfil financeiro do país e etc - ou se é um sintoma do fato de sermos brasileiros.
Tenho amigos “gringos” e eles não são tão “reclamões” quanto nós. Pelo menos é a sensação que tenho quando converso com eles.
Bom, se for um comportamento social, será que há esforço aplicado ao meios de comunicação que faça alguma diferença? Ou só estaríamos polindo a “ponta do iceberg”?
Olá Luciano,
Sobre a explanação que fiz nesse post, tomei como base o que nos tem sido apresentado aqui no Brasil na TV aberta – pelo menos o que eu vejo e o que muitas pessoas comentam comigo.
Já discuti várias vezes com amigos se a programação da televisão é reagente e acaba sendo moldada pelo perfil social, econômico e cultural dos telespectadores, ou se é a programação é agente, selecionando seus telespectadores através da programação.
De qualquer forma, acredito que nessas duas opções o resultado acaba sendo esse mesmo teor de conteúdo, uma vez que a maioria das emissoras se preocupa com o volume de audiência (Ibope) e não com a qualidade.
Também noto que os telespectadores brasileiros seguem essa onda; apesar de muitas vezes criticarem o volume de violência e sexualidade explícita, “gostam” dessa baixa qualidade e acabam “consumindo” vorazmente essa programação.
A conseqüência disso eu, você e todos aqueles que têm um senso um pouco mais crítico conhece; é essa enxurrada de informações relacionadas a esses temas sendo valorizadas pelos programas jornalísticos e de auditórios.
Quanto ao fato de ser ou não uma característica específica de nosso país – e de países em situação econômica, política e econômica similar –, pelo pouco que conversei a respeito com meu irmão – ele ficou seis meses na Europa –, lá o teor de qualidade do conteúdo é um pouco melhor do que no Brasil, com noticiários mais informativos e opinativos. Porém, o volume de informações relacionadas à violência acaba sendo similar.
Agradeço pela observação que fez e fique sempre à vontade para visitar e debater aqui no blog Diálogo.