Realidade desvirtuada

segunda-feira, 17 de novembro de 2008 13:34 Jornalismo, Reflexão

Di­a­ri­a­men­te to­ma­mos co­nhe­ci­men­to de uma re­a­li­da­de que, nor­mal­men­te, é du­ra, tris­te e le­va mui­tas pes­so­as a cri­ar um sen­ti­men­to de pes­si­mis­mo em re­la­ção ao fu­tu­ro. A quan­ti­da­de de no­tí­ci­as ne­ga­ti­vas re­la­ci­o­na­das à vi­o­lên­cia, cor­rup­ção, mi­sé­ria, con­fli­tos, en­tre ou­tros pro­ble­mas so­ci­ais, é tão gran­de que, ge­ral­men­te, de­tém boa par­te do con­teú­do dos veí­cu­los de co­mu­ni­ca­ção de mas­sa, co­mo os jor­nais, as re­vis­tas, os no­ti­ciá­ri­os dos ca­nais de TV e das emis­so­ras de rá­di­os e, co­mo não po­de­ria dei­xar de ser, as pá­gi­nas dos por­tais de no­tí­ci­as na internet.

Es­sa pos­tu­ra edi­to­ri­al de va­lo­ri­zar as no­tí­ci­as que cho­cam as pes­so­as é re­a­li­za­da por uma gran­de par­ce­la da im­pren­sa – não ape­nas a na­ci­o­nal. Os ob­je­ti­vos prin­ci­pais são, em boa par­te dos ca­sos, atrair ao má­xi­mo a aten­ção dos lei­to­res, comovendo-​os e, num se­gun­do mo­men­to, cri­ar um elo em re­la­ção à pro­ble­má­ti­ca, es­ti­mu­lan­do, de al­gu­ma for­ma, o con­su­mo do pro­du­to, se­ja com a aqui­si­ção de um exem­plar, se­ja com a audiência.

Sa­ben­do que es­sa tá­ti­ca vi­sa es­ti­mu­lar as ven­das, po­de­mos con­si­de­rar que, em mui­tos ca­sos, os cri­té­ri­os uti­li­za­dos pa­ra de­fi­nir os con­teú­dos dos pro­du­tos edi­to­ri­ais po­dem nos apre­sen­tar uma re­a­li­da­de desvirtuada.

To­dos es­tão ci­en­tes da gra­vi­da­de dos pro­ble­mas ge­ra­dos pe­la vi­o­lên­cia, pe­lo cri­me or­ga­ni­za­do, pe­las de­si­gual­da­des so­ci­ais, pe­la cor­rup­ção, en­tre ou­tros te­mas, e que a de­nún­cia e a co­ber­tu­ra jor­na­lís­ti­ca con­tri­bu­em pa­ra que as mu­dan­ças acon­te­çam e, por­tan­to, ja­mais de­ve­rão ser su­pri­mi­das. Po­rém, é ne­ces­sá­rio que os res­pon­sá­veis pe­los veí­cu­los de co­mu­ni­ca­ção te­nham cons­ci­ên­cia pa­ra fa­zer ava­li­a­ções jus­tas do ce­ná­rio ao qual es­tão in­se­ri­dos, dan­do a ên­fa­se ne­ces­sá­ria e com­pa­tí­vel com a “re­a­li­da­de re­al”, abrin­do mais es­pa­ços pa­ra as­sun­tos po­si­ti­vos que ge­ram oti­mis­mo na po­pu­la­ção, bus­can­do atin­gir um pon­to de equi­lí­brio con­tra­pon­do to­do o con­teú­do ne­ga­ti­vo que é ex­pos­to de for­ma exagerada.

As­sim, com res­pon­sa­bi­li­da­de so­bre ao con­teú­do que é apre­sen­ta­do aos lei­to­res e co­e­rên­cia em re­la­ção à re­a­li­da­de, os veí­cu­los de co­mu­ni­ca­ção de mas­sa ga­ran­ti­rão sua cre­di­bi­li­da­de e es­ta­rão con­tri­buin­do pa­ra a for­ma­ção de ci­da­dãos me­lho­res in­for­ma­dos e de um mun­do mais sensato.

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