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Dividir para ganhar

Publicado por Bruno Gonçalves em 3 de novembro de 2008 @ 16:20
Tema(s): Marketing, Reflexão


As vi­tó­rias al­can­ça­das por uma em­presa es­tão atre­la­das ao com­pro­misso de seus fun­ci­o­ná­rios. São es­sas pes­soas que pen­sam pela em­presa, que pro­je­tam ob­je­ti­vos para o fu­turo, que tem idéias ino­va­do­ras, que se es­for­çam para que os pro­du­tos te­nham sem­pre qua­li­dade, que lu­tam para con­quis­tar no­vos mer­ca­dos, que ou­vem e bus­cam aten­der as ne­ces­si­da­des e de­se­jos dos cli­en­tes, que en­fren­tam a con­cor­rên­cia, que se or­gu­lham da em­presa em que tra­ba­lham. São os fun­ci­o­ná­rios que, de forma ver­da­deira, con­tri­buem para o su­cesso do ne­gó­cio e da marca no mercado.

É fun­da­men­tal res­pei­tar es­sas pes­soas e seus ob­je­ti­vos den­tro da or­ga­ni­za­ção, re­co­nhe­cer o em­pe­nho em busca de re­sul­ta­dos po­si­ti­vos, en­ten­der suas li­mi­ta­ções, va­lo­ri­zar os tra­ba­lhos re­a­li­za­dos. Essa fi­lo­so­fia, quando im­plan­tada, con­tri­bui para que haja uma so­ma­tó­ria de for­ças que aju­da­rão a em­presa a se­guir o ca­mi­nho do crescimento.

Po­rém, ape­sar dos pon­tos ci­ta­dos, ainda hoje há mui­tos em­pre­sá­rios e di­re­to­res que ig­no­ram essa ver­dade e tem uma vi­são “pré-​​histórica” em re­la­ção aos co­la­bo­ra­do­res. Fa­zendo uma aná­lise fria da si­tu­a­ção, po­de­mos no­tar que mui­tos tra­tam o “ca­pi­tal hu­mano”, que de­ve­ria ser va­lo­ri­zado como um dos prin­ci­pais pa­trimô­nios da em­presa, como sim­ples in­sumo de pro­du­ção, uma vez que vêem as pes­soas ape­nas como nú­me­ros, “pe­ças” subs­ti­tuí­veis e sem va­lor. Essa fi­lo­so­fia de ges­tão ar­caica co­la­bora para a for­ma­ção de uma pés­sima cul­tura or­ga­ni­za­ci­o­nal, na qual os fun­ci­o­ná­rios aca­bam cri­ando an­ti­pa­tia pe­los mem­bros da di­re­to­ria, pe­los aci­o­nis­tas ou pro­pri­e­tá­rios e, pior, pela pró­pria marca. Uma vez cri­ada uma bar­reira en­tre quem di­rige o ne­gó­cio e quem põe a “mão na massa”, torna-​​se com­pli­cado de­sen­vol­ver me­lho­rias den­tro da organização.

Além disso, em mui­tos ca­sos, a si­tu­a­ção é ainda mais crí­tica. Além da pos­tura “sen­za­lista”, as con­quis­tas aca­bam di­vi­di­das de forma in­justa. Ima­gine que, como exem­plo fic­tí­cio, o de­par­ta­mento co­mer­cial de uma em­presa con­quiste um in­cre­mento sig­ni­fi­ca­tivo com ven­das de gran­des vo­lu­mes. Con­seqüen­te­mente, to­dos os pro­ces­sos sub­seqüen­tes, como a pro­du­ção dos pro­du­tos, a lo­gís­tica e dis­tri­bui­ção, o ge­ren­ci­a­mento dos es­to­ques, as com­pras de in­su­mos, a es­cala de fun­ci­o­ná­rios, en­tre ou­tras ques­tões, pre­ci­sa­rão ser mo­di­fi­ca­das para aten­der a essa nova de­manda. Ao fi­nal do pro­cesso, com as ven­das con­cluí­das com su­cesso, é or­ga­ni­zada uma festa para co­me­mo­rar o feito re­a­li­zado. Po­rém, to­dos aque­les fun­ci­o­ná­rios e de­par­ta­men­tos que fo­ram en­vol­vi­dos no pro­cesso, que ba­ta­lha­ram para dar conta do re­cado, aca­bam es­que­ci­dos. So­mente a di­re­to­ria e os mem­bros do de­par­ta­mento co­mer­cial par­ti­ci­pam da “fes­tança” e, ainda por cima, re­ce­bem ho­me­na­gens e bonificações.

As­sim, ao me­nos­pre­zar o em­pe­nho da equipe, pra­ti­cando essa sub­tra­ção nos re­sul­ta­dos con­quis­ta­dos, quem perde é a pró­pria em­presa. A par­tir do mo­mento em que for ado­tada uma pos­tura na qual as con­quis­tas são di­vi­di­das com to­das as pes­soas en­vol­vi­das, quem ga­nha é a or­ga­ni­za­ção, que mul­ti­pli­cará as pos­si­bi­li­da­des de um fu­turo mais próspero.

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