O mercado globalizado – e a crise globalizada –, a forte concorrência, a amplitude de perfis de consumidores e de mídias para divulgação criam um “quebra-cabeça” no momento de construir a estratégia de comunicação para uma campanha publicitária, exigindo assim, bastante inteligência dos profissionais e das agências, principalmente daqueles que são responsáveis pela criação e pela mídia.
Para comunicar e informar diversos perfis de públicos é preciso, essencialmente, analisar a linguagem adequada para atender cada um deles e fazer as escolhas certas dos meios de comunicação onde serão transmitidas as mensagens. É fato que os veículos convencionais vêm perdendo força e espaço para as mídias e ações alternativas, principalmente porque elas não envolvem apenas o ato de comunicar, mas também apresentam novos conceitos, gerando diferentes experiências no envolvimento dos consumidores com as marcas através de shows, eventos e promoções especiais, envolvimento com personalidades, entre outras formas e soluções que, a cada dia, inovam o mercado publicitário.
Assim, desenvolver apenas um tema “legal” e uma campanha “criativa” para divulgação em veículos de massa, muitas vezes, não trás os mesmos resultados e benefícios da “pulverização” da comunicação e da aposta em mídias e ações alternativas.
A “criatividade” que é exaltada, em muitos casos, de forma egocêntrica por muitos comunicadores e publicitários, deve ser analisada como um time de futebol. Não basta ter atacantes “matadores” e contar com uma defesa que é uma lástima, com um goleiro “frangueiro” e com um meio de campo formado por “cabeças-de-bagre”. Apostar tudo – ou toda a verba – em uma campanha com um tema “super” criativo para ser veiculada apenas em veículos de massa pode ser uma estratégia errada. É inteligente pensar na distribuição dos esforços em comunicação de forma equilibrada, buscando alternativas e maneiras diferentes de comunicar-se com públicos diferentes. É como um time sem craques, sem estrelismo, mas bem organizado e treinado, concentrado e focado num objetivo comum.
Ser criativo ao definir a estratégia de comunicação de forma racional, objetiva e visando resultados positivos é tão importante quanto ser criativo ao desenvolver um tema para uma campanha.
Para fazer a escolha certa entre o afunilamento em mídias de massa tradicionais e a pulverização em soluções alternativas é preciso analisar bem o público consumidor, suas características, as oportunidades de mercado e as alternativas para produzir comunicação diferenciada e que possa gerar bons resultados.
Enfim, os processos atuais da comunicação publicitária exigem uma sintonia fina, uma soma ainda maior da criatividade daqueles que desenvolvem os temas e as peças para as campanhas com a criatividade daqueles que fazem a estratégia e escolhem os canais de divulgação.
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Bruno Gonçalves, profissional de comunicação, especialista em comunicação organizacional, propaganda e design gráfico.



