Os serviços telefônicos de atendimento aos consumidores, na maioria dos casos, refletem o total despreparo – ou desprezo – por parte das empresas em relação aos seus clientes.
Para atestar a afirmação, basta ter uma dúvida ou problema com um serviço contratado ou um produto adquirido. É nesse momento que o consumidor irá amargar a triste experiência de gastar um longo tempo ouvindo aquelas esperas com promoções e mensagens como “a sua ligação é muito importante para nós” ou “temos a honra de tê-lo como nosso cliente”. Após ouvir todas as promoções e frases mentirosas por três ou quatro vezes – isso para ser otimista –, o “honrado” cliente terá que encarar o atendimento de pessoas que, geralmente, são despreparadas ou incompetentes para sanar suas dúvidas e resolver seus problemas. Os consumidores fazem papel de palhaço nesse grande circo.
E praticamente todos que já utilizaram serviços de call centers sabem como é a mecânica, nada pessoal, desses atendimentos telefônicos. Além da longa e cansativa espera, há uma lista enorme de opções que nunca apontam para soluções rápidas para os problemas.
É ridículo pensar que as mesmas empresas que “atendem” pessimamente os seus clientes, geralmente, são as mesmas que investem cifras enormes em propaganda e promoções de vendas. Mais ridículo ainda é notar a exposição da marca em veículos de comunicação de massa, como a TV aberta, exibindo comerciais que exaltam as qualidades dos produtos e dos serviços, com o objetivo claro de estimular as vendas. Ou seja, como é muito provável que os clientes insatisfeitos optem por descontinuar o uso do produto ou serviço, ao invés das empresas trabalharem concretamente buscando melhorias reais para atender esses clientes, elas preferem tentar conquistar novos clientes para suprir esses que foram perdidos.
Assim, fica claro que um setor de pós-venda, estruturado e funcional, é visto como custo. Certamente, porque no momento de fazer a “contabilidade”, o custo para manter um cliente é maior do que o para conquistar um novo. E esse é um problema que tem influência dos velhos administradores que apenas vêem os números referentes aos volumes de vendas e fechamentos de contratos, que são quantificáveis, e dificilmente “contabilizam” os atributos subjetivos que fazem parte da relação marca x consumidor, como satisfação do cliente em relação ao produto e serviços prestados, qualidade no atendimento, prazos, garantias.
E, como sempre, na visão desses gestores “dinossauros”, o setor de vendas é “o carro chefe” da empresa. Aquelas velhas máximas “cliente bem atendido volta sempre” e “a melhor propaganda é o boca-a-boca”, acredito, devem ser totalmente esquecidas e não são levadas em consideração. Pensando na saúde da marca e da empresa, não adianta concentrar o foco em apenas aumentar vendas se o produto ou serviço oferecido não tem suporte para atender os clientes adequadamente.
Toda postura de atuação da marca no mercado e na sociedade reflete diretamente na formação de sua imagem junto aos públicos de interesse, como consumidores, formadores de opinião, ex-consumidores. Essa imagem é formada espontaneamente, de maneira contínua e sólida, sendo pequenas as oportunidades de interferência direta por parte das empresas através de ações de marketing. As mudanças podem ser promovidas, porém os resultados são obtidos, normalmente, ao longo prazo, conforme a assimilação junto aos públicos.
Assunto em pauta nos noticiários por terem sido promovidas mudanças na legislação, a qualidade e transparência no atendimento telefônico aos clientes deveria ser um fator de grande importância para as empresas, já que é um dos canais de contato dos consumidores com a marca. Portanto, a promoção de mudanças para beneficiar os clientes deveria partir das empresas e não por determinação de leis.
Esperamos que assim que entrar em vigor as mudanças na legislação, que estarão empenhadas em promover melhor atendimento aos consumidores, as empresas “acordem” e adotem uma postura de tratar os seus clientes como pessoas e não mais apenas como cifras e números. Certamente será melhor para todos os consumidores, pois terão resguardados os seus direitos. Para as empresas sérias e comprometidas com o bom atendimento, os impactos serão mínimos e servirão de exemplo para um grande número de empresas que, até o momento, não trataram com respeito o seu mais importante bem, os clientes.
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