Na atual busca incessante por melhor eficiência, as empresas têm valorizado o treinamento dos funcionários para aperfeiçoar suas rotinas de trabalho, apostando nessa grande “benfeitoria”. Os fatores que são considerados como resultados positivos são expressos na redução dos números de variáveis como tempo, desperdício e esforço, e no aumento de outras, como agilidade, produtividade e lucro.
O lucro, de fato, é o objetivo primordial para qualquer organização capitalista e sempre deixa claro que, na cabeça de grande parcela dos gestores desse sistema econômico, a adoção de qualquer ferramenta que possa contribuir para o seu crescimento é válida.
Por outro lado, o significado da palavra treinamento também é adestramento, como é apresentado nos dicionários da língua portuguesa. No caso, o uso dessa palavra é evitado por ser empregada por nós, brasileiros, para o treinamento animal, que é o processo ao qual submetemos os seres inferiores e desprovidos de racionalidade para ter respostas mecânicas programadas para comandos que nós, seres inteligentes e racionais, estabelecemos. Resumindo a conversa, em certas situações, o treinamento na verdade é o adestramento.
Numa associação mais profunda entre o lucro e o adestramento de pessoas, podemos chegar à conclusão de que os homens são tratados como animais, cumprindo seu papel ao executar tarefas programadas e ordens determinadas, normalmente, sem ter o conhecimento macro dos motivos pelos quais ele acaba desempenhando suas atividades dentro das organizações. Quando usamos os “óculos” da moral passamos a enxergar que os homens devem ser tratados como homens, sendo o fator essencial para a transformação de ideias em realidades. O problema, ao meu ver, é que muitos gestores estão precisando usar esse “óculos”.
Apesar da mecânica do treinamento ser terrível para as pessoas, é preciso entender que, nos atuais padrões de consumo e de produção, acaba sendo impossível as empresas deixarem de adotá-la para poder se manter competitivas no mercado. Assim, a questão não é acabar com o treinamento, mas transformá-lo em capacitação. É preciso que as empresas invistam inteligentemente na formação de profissionais para que desempenhem melhor suas funções específicas – micro – e que conheçam o processo como um todo – macro –, para que possam ficar mais envolvidos com a empresa, tornando-se mais eficientes em seus trabalhos e entendendo a sua importância na organização. Atuando dessa maneira, as empresas criam oportunidades para que as pessoas possam crescer profissionalmente e intelectualmente, colaborando para que alimentem sonhos e almejem “vôos mais altos”.
No presente cenário caótico, onde o homem está perdendo seus valores como nos tempos da Revolução Industrial, as empresas devem buscar mudanças de postura no tratamento com seus funcionários. É preciso tratar o homem como homem, e não como animal.
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Bruno Gonçalves, profissional de comunicação, especialista em comunicação organizacional, propaganda e design gráfico.



