Conversa para boi dormir

segunda-feira, 15 de setembro de 2008 13:29 Comentar Reflexão

É época de cam­pa­nha e as­sis­tir ao ho­rá­rio elei­to­ral pode ser um bom exer­cí­cio para tes­tar a pa­ci­ên­cia – e o estô­mago. Ape­sar de ser um mo­mento im­por­tante, para mui­tos elei­to­res me­nos – ou nada – pre­o­cu­pa­dos com a ad­mi­nis­tra­ção das ci­da­des em que mo­ram, o teor dos dis­cur­sos apre­sen­tado pe­los can­di­da­tos acaba sendo in­ter­pre­tado como se fosse um pro­grama hu­mo­rís­tico – ser­vindo de mo­tivo para cha­cota em dis­cus­sões com amigos.

Pro­mes­sas es­drú­xu­las e de­va­neios sem nexo. Pa­la­vras que são lan­ça­das a esmo por mui­tos can­di­da­tos que não tem las­tro mo­ral para saldá-​​las de­pois de elei­tos. Men­ti­ras em cima de men­ti­ras de “ho­mens” des­pre­pa­ra­dos para as­su­mir qual­quer fun­ção pú­blica. Pes­soas de­so­nes­tas e ego­cên­tri­cas que es­tão ape­nas atrás de um sa­lá­rio fá­cil e uma “teta para mamar”.

Fora essa corja e tão ruim quanto, te­mos tam­bém um grande nú­mero de can­di­da­tos que vi­si­vel­mente de­mons­tram pouca in­te­li­gên­cia – isso para ser bon­doso. Além da pouquís­sima ca­pa­ci­dade edu­ca­ci­o­nal, mo­tivo que cer­ta­mente di­fi­culta e li­mita a qua­li­dade do tra­ba­lho que será de­sen­vol­vido pe­los elei­tos, mas que, ape­sar disso, não pode ser in­ter­pre­tada como “ates­tado de bur­rice”, no­ta­mos tam­bém que vá­rios can­di­da­tos pro­cla­mam dis­cur­sos sem fun­da­men­tos ló­gi­cos, sur­re­a­lis­tas, quando não, cretinos.

As­sim, para os elei­to­res pre­o­cu­pa­dos com o fu­turo das ci­da­des e do país, a res­pon­sa­bi­li­dade de fa­zer as es­co­lhas cer­tas nesse cesto cheio de ma­çãs po­dres, é um tra­ba­lho árduo. Mas é pre­ciso en­ca­rar essa a la­buta com von­tade e de­ter­mi­na­ção. Pri­meiro, é ne­ces­sá­rio des­car­tar to­dos os can­di­da­tos com pas­sado ne­gro e que já se en­vol­ve­ram em fal­ca­truas. Es­queça tam­bém os can­di­da­tos que tra­ba­lha­ram pouco. Não va­mos dei­xar de ele­ger ape­nas aque­les que são de­so­nes­tos, mas tam­bém aque­les que são va­ga­bun­dos. Ana­lise com aten­ção os bons can­di­da­tos e suas pro­pos­tas. Pon­dere e es­co­lha o can­di­dato que fará o me­lhor tra­ba­lho para a sua ci­dade, para a co­mu­ni­dade a qual você está in­se­rido. Não pense ape­nas no que é me­lhor para você. Não faça ca­ri­dade – ou co­mér­cio – com seu voto ele­gendo pes­soas des­pre­pa­ra­das, des­qua­li­fi­ca­das, fal­sas. O voto é a sua fer­ra­menta de mu­dança e é ele que lhe dará opor­tu­ni­da­des para me­lho­rar o ce­ná­rio da ci­dade onde vive. Por­tanto, pense muito bem em quem irá vo­tar e chega de ou­vir con­versa para boi dormir.

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