As propagandas de campanhas eleitorais sempre foram muito irritantes – e ruins. Além da enorme falta de criatividade, característica marcante devido à maioria dos candidatos não contar com a orientação de profissionais de comunicação, as pessoas sofrem ainda com as formas utilizadas para a divulgação das mensagens dos candidatos.
A Justiça Eleitoral tentou melhorar a situação, praticamente vetando alguns formatos de propaganda como o outdoor ao limitar o tamanho de placas. Assim, os candidatos buscaram alternativas para não perder impacto na campanha, como a adesivação de carros, que se tornou uma mídia ambulante. Além disso, outra solução para driblar o “problema” do outdoor foi aumentar o número de muros pintados e de placas espalhadas pela cidade. Com isso, a determinação dessas restrições acabou aumentando a poluição visual em muitas cidades ao invés de diminuí-la.
Para “ajudar”, acredito que não há restrições para os carros de som. E se houver alguma lei municipal para proibir esse tipo de propaganda, ela se torna inválida uma vez que não pode sobrepor-se a uma lei federal. Ou seja, não será nessas eleições que vamos ficar livres de desse artifício mal-educado. Portanto, o dia todo – e boa parte da noite – estamos expostos aquelas músicas irritantes que, em boa parte, são plágios descarados de músicas famosas. O pior é que, diferente das placas que vemos nas ruas, mas não somos obrigados a ler, no caso dos carros de som, geralmente, não temos como escapar de ouvir as “lindas” musiquetas devido ao volume excessivamente alto que são veiculadas.
E assim, como é de costume, o povo brasileiro eleitor sofre pela falta de coerência das regras para as campanhas eleitorais, que abrem brechas para os excessos que são cometidos por muitos candidatos.
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Bruno Gonçalves, profissional de comunicação, especialista em comunicação organizacional, propaganda e design gráfico.



